terça-feira, 2 de dezembro de 2014

"Quincas Borba" de Machado de Assis


Apesar de Quincas Borba ser uma personagem fictícia introduzida no primeiro romance dos dois de Machado de Assis contidos neste livro, na realidade "Quincas Borba" é uma obra bem diferente no modo de escrita e na estrutura de "Memórias póstumas de Brás Cubas".
Agora não se está perante as memórias ou uma autobiografia do protagonista a qual envolve uma paixão de infidelidade conjugal, mas sim do relato exterior da vida do herdeiro do filósofo rico e criador do "Humanitismo" Quincas Borba: o professor rural Rubião e guardião do cão "Quincas Borba", homónimo do seu primeiro dono para lhe preservar o nome após a sua morte que opta por passar a viver na capital Rio de Janeiro.
Igualmente escrito com humor e ironia sobre os comportamentos sociais e políticos na capital, onde não falta uma paixão de Rubião, mas agora não satisfeita, mas também existe o problema da identidade e alienação psicológica do protagonista, a garantia de fidelidade do cão e duvidosa de Sofia, os amigos verdadeiros e os oportunistas de ocasião. Uma obra que penso mais madura e profunda, o romance de Machado de Assis que mais gostei. Recomendo a qualquer leitor tipo de leitor que goste de ficção pela facilidade de leitura e qualidade da sua escrita.

7 comentários:

Pedrita disse...

realmente, quincas borba e memórias póstumas são completamente diferentes. essa diversidade é que é tão fascinante em machado de assis. ah, foi o q mais gostou. eu amo dom casmurro. o filme tb é genial e é bem recente. não conheço essa autora que está lendo. beijos, pedrita

Carlos Faria disse...

Dom Casmurro é muito bonito, mas para mim este e o conto alienista são mais profundos e despertam a reflexão, mantendo vivo o objetivo da diversão.
Eleanor Catton é ainda jovem, neozelandesa, embora nascida no Canada, penso que é a escritora mais nova a receber o Man Booker Prize e também recebeu em 2013 o GG prize que premeia as melhores obras do ano de autores residentes ou nascidos no Canada.
Ainda vou no início das suas 880 páginas.

Manuel Cardoso disse...

Concordo com a leitura que fazes das obras de Machado de Assis, neste e noutros textos.
Tenho um especial apreço pela literatura do século XIX e este parece ser o Eça brasileiro. Aliás, parece que eles se davam muito mal, porque eram rivais. E a escrita deles tem muitos pontos de contacto.
Na minha opinião, Assis e Eça são dois dos maiores escritores de sempre em lingua portuguesa.

Carlos Faria disse...

Mesmo rivais, penso que no fundo admiravam-se um ao outro e daí a rivalidade

Manuel Cardoso disse...

Sim, creio que sim, Carlos. O Eça tinha um ego do tamanho do mundo; talvez do género do Mourinho:) e esse tipo de pessoas, quando são inteligentes como era o caso, escondem a admiração por detrás da rivalidade

DIARIOS IONAH disse...

Não, O Machado de Assis não é o Eça brasileiro.Nesse tempo dos dois poucos brasileiros tiveram a coragem do confronto com a igreja catolica, como o Eça fez.
A mim o Machado de Assis me mostra o Rio de Janeiro no Seculo XIX como ele foi e isso é o que mais aprecio.
"Freya das sete ilhas" do Joseph Conrad é uma novela pequena mas muito singular.....

Manuel Cardoso disse...

Darios, quando afirmei que Machado de Assis "parece ser o Eça brasileiro" não pretendi afirmar nem insinuar qualquer tentativa de imitação ou sequer de influência.
Ele é o Eça brasileiro na medida em que teve um impacto semelhante, na literatura da época.
Em termos de escrita, eles são semelhantes, apenas e só, no que diz respeito à crítica social, ao apurado sentido de humor e quanto à escola realista que ambos parecem seguir, embora no caso do Eça com algumas variantes. E Assis também; eu atreveria afirmar que há em Assis algo do romance psicológico a fazer lembrar a escola russa.
Mas volto a afirmar: são dois vultos enormes na literatura de lingua portuguesa.