terça-feira, 8 de outubro de 2013

Guerra e Paz de Lev Tolstói - Volume 1


Pensei se haveria de fazer uma abordagem sobre Guerra e Paz de Lev Tolstói logo ao terminar o primeiro volume ou esperar para o fim do romance, mas a importância deste tomo e o facto do mesmo ter uma espécie de conclusão final permitem-me uma resenha inicial antes de completar os seus quatro volumes.
Há já algum tempo que se me vem tornando evidente que a literatura mundial e de expressão portuguesa do século XIX tem obras-primas com uma escrita tão perfeita que são em simultâneo de fácil leitura, excelentes retratos de uma época, uma modelação perfeita das personagens e magníficas lições de ética, moral e crítica social, a que se associa ainda a virtude do seu texto não envelhecer.
O primeiro volume de Guerra e Paz consegue isto tudo na perfeição, expõe a vida aristocrática Russa, com os seus vícios e virtudes no início da época em que Napoleão ameaça toda a Europa e depois entra em guerra com este império do extremo oriental deste Continente. Amor, ciume, inveja, oportunismo, heroísmo, nacionalismo, ingenuidade, manha e altruísmo tudo está presente nesta sociedade que sai da sua fútil calma e abraça a guerra e onde os mais jovens partem para a batalha, enquanto pais e mulheres ficam entre São Petersburgo e Moscovo.
Uma escrita magistral, precisa e elegante num período em que o cultura francesa era o expoente máximo, é este o principal aspeto que torna este livro diferente do presente onde o inglês ocuparia aquele espaço de expressões e textos em francês. O livro termina com uma lição de moral na batalha de Austerlitz, onde se descobre a futilidade da ambição e dos vícios pessoais perante os valores reais da vida humana e da família.
Não há que temer entrar em Guerra e Paz pela dimensão da obra, para quem não se sentir com força para prosseguir esta saga da história das guerras napoleónicas, o primeiro volume tem princípio, meio e fim e dá a oportunidade a quem quiser prosseguir nesta epopeia russa para os volumes seguintes... é o que vou fazer a seguir e entrar no segundo volume.

4 comentários:

Pedrita disse...

olha só, já concluiu o primeiro volume. adorei a resenha. beijos, pedrita

ematejoca disse...

Sobre um dos livros da minha vida comento mais tarde.

O Nobel da Literatura 2013 para a "nossa querida"

A L I C E M U N R O

F I N A L M E N T E !!!

Carlos Faria disse...

Ainda bem Pedrita que gostou da resenha, espero que tenha gostado ou venha a gostar desta obra quanto eu gostei do 1.º volume.

Carlos Faria disse...

Bem me lembro que no passado a Ematejoca assumira a sua predileção por Alice Munro, éramos dois a torcer por ela.
Alice Munro até teve o condão de nos pôr novamente em contacto, algo que já não acontecia há muitos meses.
No futuro espero colocar um post sobre o global de Guerra e Paz e estou certo que então comentará o todo e não apenas a 1.ª parte.