segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

LiDAR - Uma técnica de avaliação de riscos geológicos

Porque na matriz inicial deste blogue estava a geologia, hoje apresento um bom vídeo sobre o uso das novas tecnologias na avaliação dos riscos geológicos, nomeadamente o sísmico, através da determinação na topografia dos deslocamentos em falhas tectónicas associados a tremores de terra.



Embora não conheça a aplicação da técnica LiDAR (Light Detection And Ranging) nos Açores, existem vários outros métodos de detecção remota a serem aplicados na Região que procuram igualmente conhecer melhor o risco sísmico no nosso Arquipélago, até porque muito mais de 90% da superfície terrestre nesta área se encontra submersa, o que implica desafios diferentes.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Pico Nevado em tarde solarenga

Após uns tempos invernosos, eis que temos sido brindados com uns dias como eu gosto para esta estação: frescos, claros, sem vento e secos.
Claro que a neve na Montanha do Pico não deixa esquecer a razão desta frescura mas a beleza deste manto branco com o reflexo do pôr-do-sol dão um prazer maior que o frio e emprestam um encanto à Horta difícil de igualar noutras paragens.
Faço votos para que este tempo continue assim por um longo período.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Arma Secreta - António Gedeão


De um dos meus poetas predilectos do século XX

Arma Secreta

Tenho uma arma secreta
ao serviço das nações.
Não tem carga nem espoleta
mas dispara em linha recta
mais longe que os foguetões.

Não é Júpiter, nem Thor,
nem Snark ou outros que tais.
É coisa muito melhor
que todo o vasto teor
dos Cabos Canaverais.

A potência destinada
às rotações da turbina
não vem da nafta queimada,
nem é de água oxigenada
nem de ergóis de furalina.

Erecta, na noite erguida,
em alerta permanente,
espera o sinal da partida.
Podia chamar-se VIDA.
Chama-se AMOR, simplesmente.

António Gedeão

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Curiosidades: Marina da Horta



Quando tirei esta foto nem me apercebi que o alinhamento das duas jovens araucárias tapava precisamente as embarcacações atracadas nos dois cais desta baía norte da Marina da Horta enquadrados na imagem, parece que a timidez fez com que se escondessem atrás das árvores.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

CURIOSIDADES: Motos na Horta

Clique na foto para ampliar

Não sou um motard, mas achei interessante observar num dia de festa do Verão passado tantas motos concentradas e estacionadas com uma disposição que me fazia lembrar o gado em torno da sua manjedoura num estábulo moderno.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Enxurradas no Rio e Movimentos de Massa nos Açores

Cicatrizes de um significativo movimento de massa desencadeado por um sismo

As imagens das enxurradas e resgate no Estado do Rio de Janeiro comovem quem as vê, como geólogo que visitou Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo e a Serra dos Órgãos, a comoção e a compreensão do que aconteceu aumenta.

Petrópolis é uma Sintra, cidade serrana com um palácio real ou imperial, cresceu perto da capital e tornou-se num centro cosmopolita de nobres. Teresópolis é uma cidade vizinha, o nome homenageia a mulher do imperador do palácio. Nova Friburgo foi uma colónia de emigrantes suíços mais a norte e na mesma cordilheira. Todas eram pequenas cidades com temperaturas mais amenas para europeus que as do Rio de Janeiro e estão cercadas por morros de grandes declives, cobertos de densa vegetação e cumes desnudados devido ao arraste do solo nas chuvas intensas. Pequenos burgos não muito distantes do Rio que a modernidade aproximou e a suas belezas transformaram-nos em pólos turísticos que atraíram muitas gente que ocuparam densamente margens de rios e morros num solo húmido, exposto a chuvas intensas e instável. A armadilha montou-se com o crescimento demográfico sem ordenamento territorial.

Vastas inundações como na Austrália, em zonas planas e de baixa densidade humana, são pouco mortíferas, as correntes não encontram tanta gente num curto espaço de tempo e a demora a atingir as cidades permite o aviso atempado das pessoas. Em regiões montanhosas densamente povoadas a subida das águas nos pontos de concentração é rápida, as correntes encontram muitas gente no trajeto, os solos dos declives perdem consistência, tornam-se lamas que escorrem e tudo arrastam e o tempo é escasso para alertas adequados à proteção das pessoas. Contra isto, havendo espaço, só há o ordenamento do território e retirada da ocupação humana dos locais de maiores riscos para viverem em zonas mais seguras, mas baixar o risco não é anulá-lo.

Os Açores têm zonas declivosas, períodos de chuvas intensas, sismos, ribeiras torrenciais e locais de maior risco de densidade urbana alta. A prevenção é a melhor via de evitar catástrofes, mesmo que as pessoas digam que há muito conhecem um local e não se lembram de ali ter ocorrido algo de grave, a memória das gentes é outra armadilha: raramente sobrevive um século e a terra tem 4600 milhões de anos, muito tempo para escolher quando decide atacar um local que reúna as condições para a catástrofe e a explosão demográfica torna-nos mais vulneráveis por favorecer a ocupação de locais inseguros.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

RECORDAR SOL DE INVERNO

Tendo em conta que presente estação, à semelhança da equivalente no ano de 2010, teima em ser quase constantemente chuvosa e ventosa, aqui fica uma recordação da primeira Aurora deste Inverno, tal como foi captada pela webcam do projecto climaat aqui da Horta na manhã de 22 de Dezembro último, sem dúvida uma janela permanente desta terra para o mundo e sempre aberta na coluna da direita deste blog.
Um nascer-do-sol que então alimentou grandes esperanças de que o bom tempo viesse para ficar... puro engano!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Júniores B do Fayal Sport Club - Campeões açorianos


Este blogue não costuma falar de desporto, excepto esporadicamente sobre o clube desta ilha e que é minha paixão: o Fayal Sport Club, como aconteceu aqui e aqui.
Este semana a equipa do Fayal Sport Club do escalão de formação Juniores B sagrou-se campeão regional dos Açores, vinte anos depois de um feito semelhante por este Clube na mesma modalidade e formação. Parabéns
Agora irão enfrentar equipas do mesmo escalão de clubes de âmbito: Futebol Clube do Porto, Vitória de Guimarães e Vizela.
Força Verdes!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Universidade dos Açores - 35 Anos - Parabéns

Logótipo da Universidade dos Açores

Hoje o Universidade dos Açores comemora 35 Anos, com três campus distribuídos por Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta, este estabelecimento de ensino superior é sem dúvida um dos mais importantes frutos da Autonomia dos Açores.

Nenhum País ou Região se desenvolve sem a base do conhecimento, sem possuir uma elite bem alicerçada e onde o saber-fazer seja o motor do progresso de uma terra. O dinheiro e os recursos podem ser escassos, mas se houver capacidade de encontrar soluções um povo pode avançar, o inverso é inviável.

Nesta Universidade existem vários campos de investigação adequados à realidade dos Açores: oceanografia e pescas no centro de uma vasta área marítima; ciências agrárias em ilhas onde a pecuária e os lacticínios são um dos seus principais recursos; geologia e biologia, numa terra onde a ecologia e as crises sismovulcânicas necessitam de um acompanhamento permanente; economia numa região onde os constrangimentos obrigam a uma análise de pormenor para se conseguir ultrapassar as dificuldades; letras numa terra onde a cultura tem raízes e ramos frondosos, entre outras áreas do conhecimento. Um potencial para os Açores alimentado a partir desta casa

Nesta Universidade tirei o meu mestrado em vulcanologia e riscos geológicos, a ela continuo ligado e sempre disponível para com ela colaborar a favor das ciências da terra e dos Açores.

PARABÉNS UNIVERSIDADE DOS AÇORES

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

PRESÉPIOS 2011 - 3: Praia do Almoxarife

Na tradição, hoje 6 de Janeiro era o Dia de Reis ou Epifania que simboliza a apresentação de Jesus aos povos do mundo para além do judeu e nesta data termina a série de posts relativa à quadra natalícia que acabámos de atravessar.

Construído na igreja paroquial, desenvolve-se em forma de U por vários corredores de circulação no templo e foi crescendo ao longo de vários domingos do advento de acordo com a mensagem religiosa a transmitir nesse dia.

É assim pela sua disposição, modo de crescimento um presépio original, pelo sua estrutura interna e maioria dos materiais utilizados um presépio tradicional.

Ao visitante que não acompanhou a sua construção o que mais se destaca são as várias miniaturas de edifícios típicos da ilha feitas em blocos de basalto e com um pormenor digno de louvor.
Desde a torre do relógio, fontanários, poços de água, casas tradicionais, quintas com currais e utensílios agrícolas, o conjunto de peças distribuídas pelo presépio merecem uma atenção profunda.
Paralelamente várias mensagens encontram-se dispersas pelas várias fases do presépio em conformidade com as leituras bíblicas do advento...

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

PRESÉPIOS 2011 - 2: Salão e Pedro Miguel

As freguesias contíguas à Ribeirinha também costumam apresentar presépios mais ou menos tradicionais, este ano não foi excepção e cá está o fruto da visita para quem não conseguiu deslocar-se ao local, o que é uma apreciação sempre mais completa.

No Salão Henrique Escobar estrutura o seu presépio em anfiteatro virado para um espaço disponível ao visitante, se à primeira vista parece meramente tradicional, um olhar atento descobre que as representações de afloramentos rochosos foram substituídas por troncos e cascas de árvores, pelo que a lava quase não existe no presépio, o qual, apesar do seu aspecto recorre a um material bem menos comum neste tipo de representações.

Além da recordação da tradição, só para reparar o cuidado tido com as texturas das cascas de árvore para expressar diferentes tipos de rochas vale a pena visitar este presépio.

Na freguesia de Pedro Miguel, Carlos Bettencourt expõe um presépio tradicional, onde abundam pormenores sobre as actividades rurais mais comuns no passado.

Recorreu aos materiais tradicionais, nomeadamente numerosas figuras de porcelana com trajes típicos do país, sementes e verduras.

Em próximo post um presépio que mistura o tradicional e inovação situado noutra freguesia da zona leste do Faial.

sábado, 1 de janeiro de 2011

PRESÉPIOS 2011 - 1 - ESPALHAFATOS

Os presépios são sem dúvida uma das formas de expressão artística e religiosa com maiores tradições nos Açores, os quais marcam presença todos os anos pela época natalícia em muitas casas e instituições destas ilhas, onde algumas das quais, como no Faial, habitualmente os colocam à disposição da visita do público.

Após ter publicado sobre o presépio dos Escuteiros da Ribeirinha, hoje mostro os expostos publicamente nos Espalhafatos, em casa de António Matos Rocha e na igreja de Santo António.

Repleto de cenas de vivência tradicional das nossas ilhas e de cena bíblicas associadas ao Natal, o primeiro presépio utiliza além de imagens de cerâmica, numerosos edifícios típicos pintados e construídos manualmente que se integram num cenário paisagístico com recurso a lavas, bagacinas, musgos, líquenes trigo germinado e ramos de plantas arbustivas e arbóreas. Uma construção detalhada das nossas vivências e tipicamente tradicional.

Não menos tradicional, mas cada vez mais escasso, são os altarinhos ao Menino Jesus, Laura Rocha assumiu a tradição e construiu o seu com os degraus típicos, cobertos de tecidos com rendas e bordados e decorados com as habituais tangerinas e trigo germinado. Uma ternura cheia de memórias de como era vivido o Natal antigamente no Faial.

A simplicidade não é oposta à beleza, na igreja de Santo António, com predomínio de material arenoso e cactos, que recordam os desertos que cercam Israel, e uma gruta em basalto cerrado cercada de musgo, dão a este presépio uma estética singular e agradável.