terça-feira, 11 de outubro de 2011

Ilusão de dobras geológicas 1

Na Natureza nem tudo o que parece é:

As rochas, devido às forças no interior da crosta partem-se (deformação rígida ou frágil) ou dobram-se (deformação plástica). Depois a erosão trás à superfície essas rochas e coloca à vista de todos essas deformações. Todavia, nem sempre aquilo que parece dobrado está de facto deformado.
As cinzas, a bagacina (lapilli) e os blocos projectados da chaminé em altura pelas erupções vulcânicas caem por acção gravítica e formam camadas modeladas pelo relevo, os materiais mais recentes cobrem os mais antigos e fossilizam o relevo dessas camadas inferiores. Depois se algum dia forem expostos esses antigos estratos, os mesmos podem parecer como que dobrados, quando apenas é a fossilização do paleorrelevo na época da respectiva deposição.
Os Açores são ilhas muito recentes e os esforços a que as rochas estão sujeitas são sobretudo de distensão, o que não favorece o aparecimento de dobras. Assim, na foto acima as camadas de piroclastos não estão dobradas como parecem, apenas retratam o relevo antigo à data da sua queda, inclusive um vale mais recente quase se sobrepôs ao "paleovale".
Afinal a natureza também é ilusionista e só uma apurada análise da situação permite descobrir a realidade.

3 comentários:

Professor Elias Santos Junior disse...

Que maravilha da natureza! representam ciclos diferentes de vulcanismos?

geocrusoe disse...

Não necessariamente, mas poderia ser, as descontinuidades devem ser de ciclos diferentes.
Nas erupções traquíticas a coluna eruptiva explosiva é alimentada em contínuo, mas com pulsações de intensidade e caudal no tempo, o que confere fragmentações diferentes às gotas de magma expelidas que na queda ficam calibradas horizontalmente em função do momento da força de expulsão, altitude, intensidade do vento e claro gravidade, mas na vertical dá-se a calibração num local em função das variações de intensidade temporais.
Assim, uma coluna de várias horas pode gerar uma altura de estratos de vários metros, onde se observam perfeitamente gradações na vertical em função das pulsações e das distâncias à chaminé, tudo registado num único ciclo.
Quando descoberta a vegetação tende a ocupar mais facilmente os níveis de cinza do que de blocos e lapilli, neste caso a hidrossementeira para estabilizar o talude da estrada, ainda em construção, destaca essas variações.

Professor Elias Santos Junior disse...

Perfeito!