segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A origem da areia marinha

Quem olhar para as fotos deste post, verá que a primeira e terceira correspondem a uma praia litoral de calhau, enquanto a segunda e quarta, obtidas no mesmo local, já existe uma grande quantidade de areia.

Tal situação ficou a dever-se ao facto de nas proximidades, em meados do Verão, ter ocorrido um volumoso desabamento de arriba costeira. Depois, já no início do Outono e por erosão marinha, este transformou-se numa importante fonte de areia para o litoral nas imediações. Esta situação permite explicar alguns fenómenos associados à dinâmica costeira, nomeadamente:


A principal fonte de areia marinha não é o próprio oceano, mas sim a terra emersa. Sobretudo, a erosão que o mar faz sobre a linha de costa e o material transportado (carga sólida) pelos cursos de água (rios ou ribeiras) nas ilhas e nos continentes.

Nem sempre a deposição de areia ocorre nos períodos de mar calmo. Neste caso, foram as maresias que permitiram galgar o escorregamento, retirar maiores volumes de grãos de rocha da dimensão das areias, transportá-los pela agitação das ondas e correntes e depositá-los em locais costeiros mais elevados, relativamente protegidos das zonas de maior hidrodinamismo costeiro

Por último, embora a maioria das pessoas associem o termo "praia" aos depósitos costeiros de areia. As acumulações no litoral de materiais mais grosseiros também se chamam "praias". Assim, existem praias de areia, praias de areão, praias de cascalho, praias de blocos ou calhaus, constituídas por rochas sedimentares desagregadas e provam que nos Açores nem todas as rochas são vulcânicas.

3 comentários:

Anónimo disse...

Dá-me aflição pensar que nem as rochas resistem ao tempo.
Incomoda-me a mutabilidade das costas ao bater das ondas.
Prefiro as torrentes de lava, as projeções vulcanicas e os precipitados de enxofre que aparecem nas fumarolas.

Definitivamente, sou pela criação e abomino a destruíção.

geocrusoe disse...

Isso porque tem uma visão maniqueísta da natureza (embora Mani não tivesse uma filosofia igual ao que chamamos maniqueísmo).
Pode ver as coisas sempre como um fluir de transformações: a escoada a transformar-se em areia pela acção das ondas, a lava a nascer da fusão do manto por acção da gravidade e da radioactividade, os precipitados filhos do dissolução das rochas por acção dos fluídos e assim sucessivamente... tudo em contínua mutação em busca de novos equilíbrios que volta muitas vezes ao original de uma forma cíclica.

Anónimo disse...

Aflige-me.
Gosto de estabilidade.