terça-feira, 2 de setembro de 2008

ENERGIA GEOTÉRMICA II: O jazigo ou reservatório

Apesar do interior da Terra ser quente e por isso, teoricamente, em muitos locais ser possível aproveitar esse calor para obtenção de energia, na realidade, hoje esta fonte alternativa de energia é aproveitada a partir de Jazigos Geotérmicos existentes em profundidade.

Esquema de formação de um Jazigo Geotérmico e alimentação da Central
(clique na figura para a ampliar)

Para existir um Jazigo Geotérmico são necessárias, pelo menos, reunirem-se três condições:
1. A existência de uma fonte significativa de calor, como uma grande massa quente, frequentemente uma câmara magmática;
2. Uma quantidade suficiente de fluido armazenado, líquido ou vapor, que possa receber esse calor ; e
3. Uma rocha permeável assente noutra mais impermeável onde esse fluido aquecido fica armazenado, sem se infiltrar para grandes profundidades, para que se possa extrair de uma forma controlada.

Assim, podem-se acumular grandes quantidades de fluido quente que o homem extrai através de furos ou poços geotérmicos, que por vezes ultrapassam os 1000 m de profundidade, que fornecem o calor à central e alimentam as turbinas.
O fluido depois de usado é reintroduzido no jazigo por poços de injecção, para se manter o equilíbrio de pressão em profundidade e futuramente serem reaquecidos.

Uma grande fracção do fluido provêm de infiltrações das chuvas, lagos e rios (água meteórica), outra parte vem dos minerais hidratados ou com compostos voláteis contidos nas rochas que se libertam por acção da pressão ou do calor, e ainda, pode vir dos líquidos e gases libertados de uma câmara magmática (água juvenil) ou de outra massa quente que veiu da profundidade.

Em próximo post desta série mostrarei uma Central Geotérmica.

6 comentários:

Pedrita disse...

meu pai sempre comenta do mistério que é a terra ainda ser aquecida em seu centro depois de tantos anos. beijos, pedrita

geocrusoe disse...

então já sabe dois motivos: 1. a parte interna de um corpo não bom condutor térmico, como as rochas da terra, arrefece mais lentamente que a sua superfície em contacto com outra mais fria.
2. O elementos radioactivos que existem no interior do planeta libertam calor que aumenta também a temperatura das rochas em profundidade.

RJ disse...

Um projecto destes, em média, produz electricidade para quantas pessoas e/ou habitações?

Tem-me intrigado a viabilidade económica de projectos como este, dependendo (imagino) das condicionantes geológicas (profundidade, gradiente geotérmico, quantidade de líquido em circulação no sistema, etc).

Acredito que, como fonte de energia renovável, seja viável. O que não sei é a dimensão dos projectos para produzir determinada quantidade de energia.

geocrusoe disse...

ao rj
A central geotérmica da Ribeira Grande, mostrada anteriormente, tem uma potência instalada de 13 MW e a CG do Pico Vermelho, que explora o mesmo campo geotérmico, possui instalado 10 MW. Apesar da produção não ser igual ao total instalada, estas duas centrais asseguraram 41.4% das necessidades de energia eléctrica de toda a ilha de são miguel, com cerca de 131 mil residentes (existem ainda os turistas)o que compreende consumo doméstico, industrial, comércio e turísmo. Vão ser feitas mais centrais na ilha de forma que a percentagem de energia com esta origem deverá ainda subir significativamente nos próximos anos. Assim julgo que ficaste a ter uma ideia base das potencialidades nos açores.

Grifo disse...

O artigo está fantástico...

Uma curiosidade:

Existe um jazido Geotérmico no varadouro (Faial), certo?

geocrusoe disse...

ao grifo
existe pelo menos um aquífero, (lê-se: a-cu-í-fro)uma camada de rocha por onde existe circulação de água possível de captar ou que alimenta nascentes. este aquífero tem água relativamente quente e mineralizada que vai para as termas. Mas lembra-te que há poucos séculos tivémos 1 gr vulcão na praia do norte, por isso pode ser ainda calor do magma de então.

é difícil dizer se existe um jazigo de facto, pois é preciso ter um certo volume para se captar o calor sem o fluido se esgotar em pouco tempo e neste caso não se deve chamar jazigo, por não ser possível aproveitar geotermicamente. embora estejam a realizar trabalhos de prospecção no faial, ainda é cedo para dizer os resultados finais.