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domingo, 21 de julho de 2019

"Um, ninguém e cem mil" de Luigi Pirandello


Excerto
"Você acredita que se conhece, se não se construir de alguma maneira?... Só somos capazes de conhecer aquilo a que conseguimos dar forma."

Em "Um, ninguém e cem mil" o escritor italiano Luigi Pirandello, laureado com o Nobel da literatura, constrói uma dialética, cheia de humor e reflexão, em torno da busca de identidade que cada um tem de si e daquelas que e os outros fazem de nós próprios,não somos únicos mas uma miríade de personagens. Somos uma composição múltipla de todas essas individualidades criadas por nós e por quem socializamos.
A partir de um comentário da mulher enquanto Vitangelo Moscarda se olhava ao espelho, no qual ela lhe comunica a inclinação do seu nariz de que ele nunca se apercebera, começa um conjunto de reflexões de como sou eu? Que imagem têm os outros de mim? Questões que se tornam numa obsessão que vão mudar a sua vida de banqueiro a viver à sombra da sua riqueza herdada em alguém que não apenas se quer mudar mas deseja que os outros o modelem com uma personalidade diferente.
Escrito em estilo de autorreflexão, onde trespassa ao longo dos parágrafos humor, apreciação do problema e dedução, Pirandello monta a mudança de uma personalidade a partir de um ensaio de autoanálise do protagonista.
Originalíssmo e divertido, embora exaustivo pela miríade de variantes que se vão labirinticamente cruzando, não perde interesse por ser relativamente curto, o que alimenta a vontade de saber como ficará Vitangelo Moscarda no fim do romance.
Fiquei com curiosidade de descobrir outras obras deste escritor.

2 comentários:

Pedrita disse...

esse não li. é um autor muito perspicaz e irônico. fiquei curiosa. beijos, pedrita

Carlos Faria disse...

Pois então se conhece o estilo e gosta, este é muito interessante.