domingo, 10 de junho de 2018

"Será que os androides sonham com ovelhas elétricas?" de Philip K. Dick


Excertos
« ...os androides equipados com a nova unidade cerebral Nexus-6 tinham, numa perspetiva grosseira, pragmática e eficiente, evoluído para além de um maior - mas inferior - segmento da humanidade. Para o melhor ou para o pior. O servo tinha-se, em alguns casos, tornado mais inteligente que o seu senhor

« Terás de fazer coisas erradas onde quer que vás... É a condição básica da vida, teres de violar a tua própria identidade. Em determinada altura, todas as criaturas que vivem devem fazê-lo. É a sombra final, a derrota da criação; esta é a maldição em funcionamento...»

Poucos parecem saber que o primeiro filme "Blade Runner" se baseia no livro "Será que os androides sonham com ovelhas elétricas?" escrito pelo americano, famoso pelas suas obras de reflexão e humor negro em ficção científica, Philip K. Dick, várias das quais adaptadas ao cinema.
Após uma guerra o planeta está contaminado, a maioria das espécies extintas e a humanidade vive só em certas cidades sob alertas de radioatividade e com certas máquinas de controlo psicológico que cria uma nova religião social, mas o desejo mais comum das pessoas é ter animais domésticos reais face à oferta de cópias elétricas. Há colónias no sistema solar onde foram fabricados androides servis, que com a evolução são cada vez mais indistintos dos humanos, até que alguns nos ultrapassam, querem viver em liberdade, desejam estabelecer-se na Terra, aonde estão interditos e para onde fogem. Surge assim a profissão liberal de caçadores de androides remunerada por prémios de captura. Os Nexus-6, topo de gama na inteligência, dão luta, surge a possibilidade sentimental entre pessoas e máquinas e assim se desenrola nesta sociedade distópica o trabalho policial de Rick em São Francisco com reflexões morais e éticas entre tecnologia e o seu controlo.
A obra original é mais abrangente que a adaptação cinematográfica, esta limita-se ao essencial da caça, embora várias das questões do livro tenham sido transpostas para o filme. O romance, além de bem escrito, é mais profundo nas reflexões e não se limita a mostrar a questão dos sentimentos nos androides, pois mostra o vazio nas pessoas no mundo contemporâneo. Tendo sido publicado em 1968 o futuro imaginado evoluiu diferentemente nalgumas situações do que o imaginado na obra, pelo que há um desfasamento na visão do futuro tecnológico, mesmo sendo claro que se estaria na última década do século XX,  pode-se sempre transpô-la para um futuro posterior ao nosso presente.
Gostei muito do livro que é de fácil leitura, mas já me encantara com Blade Runner, obras diferentes e ambas geniais no seu género de ficção-científica, distópica  e levantando questões de ética e moral.

4 comentários:

Pedrita disse...

eu estou então entre os muitos que não sabem. fiquei curiosa. eu acho engraçado q eu amo ficção científica no cinema e pouco leio sobre o tema. beijos, pedrita

Carlos Faria disse...

Do mesmo escritor e também com um excelente filme adaptado que levanta questões entre a tecnologia a ética e a moral temos "O Relatório Minoritário", penso ser este conflito uma das principais temáticas das suas obras na fase mais adulta.

Andrea Martínez disse...

Obrigada por compartilhar essa dica. Eu quero ler porque eu o vi o filme desse livro e devo diser que é um dos mais interessantes do gênero que eu já vi. Mais que filme de ficção, esse é um filme de suspense, todo o tempo tem a sua atenção e você fica preso no sofá. Vale muito à pena. Faz pouco eu também vi a sequela, Blade Runner 2049 é um dos melhores de Denis Villeneuve. Se alguém ainda não viu, eu recomendo amplamente. É uma historia cheia de incríveis personagens e cenas excelentes. Cuida todos os detalhes e como resultado é uma grande produção.

Carlos Faria disse...

Penso que o Blade Runner tem mais suspense que o livro, até porque parte do que iria acontecer já eu sabia quando li, além de que o romance não conta uma história que se leia em menos de duas horas como a narrada no cinema, tem tempo para levantar questões e nos pôr a pensar e ainda desenvolve outros assuntos como a extinção em massa dos animais e a falta que estes fazem às pessoas.
Ainda não vi a sequela, mas gostaria de ver.