terça-feira, 26 de junho de 2018

"A Tábua de Flandres" de Arturo Pérez-Reverte


Excertos
"Na realidade, meus filhos, paroquianos, constituímos um bizarro exército. Temos a desfaçatez de perseguir segredos que, no fundo,  mais não são do que os enigmas da nossa própria vida."

"Uma vez li que o homem não nasceu para resolver o problema do mundo mas sim para averiguar em que consiste esse problema..."

"A Tábua de Flandres", do espanhol Pérez-Reverte, é um romance onde o autor junta o género policial, enigma/charada e crime a uma boa escrita trabalhada com estilo, fazendo numerosas referências culturais, neste caso música e pintura, e ainda adiciona momentos de reflexão e de análise psicológica com as personagens, tornando o livro  numa boa obra literária.
Júlia, uma restauradora de arte, trabalha numa pintura em madeira com 300 anos de van Huys, pertencente a uma coleção privada e destinada a um leilão que representa uma partida de xadrez. Ela descobre sob a tinta a questão oculta sobre quem matou o cavaleiro, iniciando-se uma charada cuja resposta estará nas jogadas antecedentes ao exposto na tela. A presença da mensagem escondida valoriza o quadro e durante os esforços de resolução ocorre uma morte associada a um desafio para a continuação da partida, há assim sobreposição de um crime no passado e assassinatos no presente. Um jogador é convidado a desenrolar a partida enquanto a polícia se perde entre questões fúteis face às considerações discutidas pelas personagens centrais da trama, as regras e o simbolismo são a chave de tudo e indiciam o risco de vida para Júlia.
Além da boa escrita, reflexões e análise de enigmas lançadas com as estratégias e regras do xadrez, o autor consegue até manter o interesse do leitor por várias dezenas de páginas após se desvendar os mistérios, isto porque Pérez-Reverte concilia a técnica do suspense policial com os ingredientes da boa literatura, agradando não só os leitores de obras de ação, como outros mais exigentes literariamente.

2 comentários:

Pedrita disse...

gosto do gênero, fiquei curiosa. não curti a capa. beijos, pedrita

Carlos Faria disse...

Este já é o 3.º livro dele que leio, gostei de todos, são boas obras de entretenimento com elevação cultural e gosto.
A capa em Espanha parece-me bem mais feliz, suspeito que esta se baseia no filme "Uncovered" que resultou do livro.