segunda-feira, 17 de outubro de 2016

"A Amiga Genial" de Elena Ferrante



"A Amiga Genial" de Elena Ferrante é a primeira obra que leio desta escritora italiana contemporânea, correspondendo a um dos maiores fenómenos literários dos últimos anos por em simultâneo coincidir com um grande êxito editorial e reconhecimento de qualidade do romance, sendo este o motivo que me despertou interesse após ouvir numerosas recomendações para a respetiva leitura.
Este título corresponde ao primeiro volume de uma tetralogia que conta pelos olhos da narradora as histórias de vida e da amizade desta com outra rapariga da mesma idade iniciada nos bancos da escola primária até ao começo da velhice integradas na teia das relações sociais do seu bairro pobre e popular de origem em Nápoles até ascensão e sucessos pessoais da autora e da sua amiga nesta cidade. O presente tomo vai da infância, passa pela adolescência e chega até à entrada da vida adulta da sua colega e decorre a partir da década de 1950. A autora que deseja ser escritora vai descobrindo que a companheira possui uma genial inteligência, mas descobre-se que há uma admiração mútua, grandes sonhos de ambas em ascensão socioeconómica, uma influência nos comportamentos entre si, onde cada uma considera a outra um modelo de capacidades, vontade de estudar e exemplo para condicionar a sua atitude.
A escrita do livro é magnificamente agradável e desperta um grande prazer de leitura que se associa ao conteúdo narrativo, onde somos cativados pelas lutas de sobrevivência destas personagens, as descobertas íntimas da puberdade, do amor, os estilos de vida familiar e social num bairro pobre de operários com pequenos empresários locais, os defeitos do sistema, desde a sombra das redes do crime organizado, aos esforços dos empreendedores, às vicissitudes porque estes passam até aos preconceitos e hábitos destas gentes que os preserva num gueto de onde é muito difícil sair ou subir na vida.
É um livro de muito fácil leitura, onde a análise social é exposta por meios simples, descomplicando a narrativa e a reflexão, gostei de tal modo do volume que imediatamente encomendei os restantes três para próximas leituras, reforçado pelo facto de ainda este ano Nápoles ter sido a minha região de férias e descoberta, havendo passagens que me recordam aqueles dias tão agradáveis que ali passei. Recomendo a qualquer leitor.

10 comentários:

Pedrita disse...

eu tenho lido matérias sobre essa escritora. por ela esconder a identidade. confesso que gerou minha curiosidade. http://veja.abril.com.br/entretenimento/jornalista-italiano-afirma-ter-descoberto-quem-e-elena-ferrante/
beijos, pedrita

Carlos Faria disse...

Sim tem sido muito noticiado também em Portugal notícias sobre a tentativa de descoberta da identidade de Elena Ferrante que é um pseudónimo, mas tal resulta do sucesso da escritora por toda a Europa, mas o importante são o livros e não quem é mesmo a senhora. Experimente e descubra porque tem tanto sucesso.

Kelly Oliveira disse...

Olá Carlos! Essa obra tem sido muito comentada nos últimos tempos aqui no Brasil, parece estar encantando mesmo os leitores.

Gostei das suas impressões. Talvez um dia eu leia, se bem que para conhecer a autora, no caso, escolheria um título de volume único.

Abs.

Carlos Faria disse...

Ao contrário de Guerra e Paz em que comprei os volumes todos de início, aqui não arrisquei e pode-se ler apenas o primeiro volume, pois se a história não fica totalmente fechada tem um final que o faz sobreviver sozinho.
Curiosamente conheço duas pessoas que começaram pelo quarto volume e embora digam que exista referências ao passado, não se sentiram impossibilitadas de ler o livro e uma inclusive está a pensar agora ir para o primeiro.

Catarina disse...

Carlos, tenho os livros todos, mas ainda só li o de contos/ novelas: Crónicas do Mal de Amor.
A sua leitura presente é uma maravilha. Vale mesmo a pena ser lido.

Kelly Oliveira disse...

Fator interessante. Obrigada por comentar

Carlos Faria disse...

Pois já ouvi também falar dessas crónicas Catarina, penso que é um dos primeiros livros dela.

olhodopombo disse...

O interessante é ver como vai de uma leitura a outra completamente diferentes e de autores um tanto desconhecidos. Um pescador de historias.

Carlos Faria disse...

Sim, sou eclético na literatura, desde que seja boa no género, também como pertenço a grupos de leitores ouço recomendações diversificadas, o que me permite explorar autores e caminhos diferentes em função da impressão do que vou assim colhendo.

Denise disse...

Olá :)

Também já fui acometida pela mania da Ferrante.
Tenho lá a coleção para ler. A decidir-me.

Beijinho