quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

"As vinhas da Ira" de John Steinbeck



O romance "As vinhas da Ira" é considerado o principal livro do laureado com o Nobel John Steinbeck e é efetivamente uma obra marcante para quem lê.
"As vinhas da ira" retrata, através da história de uma família despojada da sua propriedade rural no Oklahoma, a histórica desumanidade que foi a emigração forçada de centenas de milhares de agricultores dos estados do sudoeste dos Estados Unidos nas décadas de 1920 e 1930, vítimas da ocorrência em simultâneo de uma grande seca, tempestades de poeira, execução bancária das dívidas agrícolas e da substituição da mão de obra rural pelas máquinas agrícolas.
Steinbeck não se limita a denunciar a ditadura financeira da banca, como causa principal desta emigração de famílias de agricultores, sobretudo a caminho da Califórnia, depois de as fazer passar de pequenos a médios proprietários para indigentes sem nada, sem terrenos e sem condições de trabalho. O escritor aprofunda também a desumanidade que houve no destino da emigração, onde o grande latifundiário californiano levou ao extremo a exploração destas vítimas que, aliciadas por uma propaganda intencionalmente enganosa e interesseira vinda de oeste, ficou refém da ambição dos ricos produtores do vale de São Joaquim onde se criaram novas condições de exploração do homem pelo homem com a colaboração das forças políticas e policiais contra estas já vítimas da injustiça da ditadura financeira, novamente vítimas de um capitalismo económico desenfreado.
O romance alterna pequenos capítulos estilisticamente brilhantes com apresentação do enquadramento geral das várias situações ocorridas na época, com outros mais extensos e escrita mais realista com o dia a dia da família Joads, desde velhos a crianças, com início do despojamento dos seus terrenos no Oklahoma até à suprema exploração na Califórnia, com descrição das condições de vida duríssimas desta gente e da força de algumas personagem para enfrentar tamanha desumanidade e exploração. Uma grande, bela e marcante obra, que por si só é um prémio Nobel merecido. recomendo a todos.

7 comentários:

Pedrita disse...

eu li esse livro há muitos anos. lembro que fiquei impactada e adorei. aquele ator português luis lima barreto comentou dessa autora que está lendo e eu quero ler algo dela. beijos, pedrita

Carlos Faria disse...

É efetivamente um romance muito forte.
Quanto a Agustina, recomendo "A Sibila" talvez mesmo a obra mais famosa da escritora. Li "A quinta essência" e gostei muito, mas não é uma escritora fácil e o romance que estou a ler cabe neste conjunto difícil.

Lucas Sowew disse...

esse livro está na minha fila de leituras faz tempo
quero ler esse ano
abraços

DIARIOS IONAH disse...

Esse livro esta na minha estante a um ano, esperando a sua vez!
Agora comecei a ler A obra em negro da Marguerite Yourcenar de quem eu nunca li nada.

Carlos Faria disse...

Pois recomendo que tirem "As vinhas da ira" da prateleira e comecem o mais rápido possível a ler.
De Yourcenar a obra mais interessante que dela li foi Memórias de Adriano que recomendo vivamente, mas não li A obra em negro.

Os Incansáveis disse...

Este foi daqueles livros que li em inglês. Acho que está na hora de reler.
Denise

Carlos Faria disse...

É daquelas obras que sabe sempre bem reler, tal é a sua profundidade