quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

"As confissões de Félix Krull" de Thomas Mann


A obra "As confissões de Félix Krull" corresponde ao livro que Thomas Mann, vencedor de um Nobel da literatura, estava ainda a escrever aos 80 anos quando morreu, embora tenha trabalhado o seu conteúdo desde novo, é contudo um romance incompleto, mesmo assim, já com três centenas de páginas, deixou potencial para vir a ser outra obra deste escritor da dimensão de "A montanha mágica", embora num estilo totalmente diferente.
O romance corresponde às memórias da vida do protagonista, que sempre se sentiu predestinado a alcançar um lugar importante na sociedade, embora nascido de uma família burguesa e pouco exemplar que caiu na ruína quando ainda ele era adolescente. Deste modo, movido pelo seu fascínio e convencimento, dotado de poucos escrúpulos, lá conseguiu passo a passo e sem se desviar dos seus objetivos ocupar o lugar de alguém da nobreza e conhecer o mundo, infelizmente esta viagem global teve apenas uma etapa na obra pela não conclusão desta, mas que curiosamente se passa em Lisboa e ocupa quase um terço do livro.
Mann descreve o povo português e a capital de Portugal de uma forma bem original e diferente do habitual servindo-se de uma personagem sábia residente nesta cidade e que faz lembrar outras figura de grande saber que o escritor criou para dar a conhecer ao leitor mundos da evolução da história e da filosofia noutros grandes romances dele, neste caso Kuckuck é paleontólogo e será por esta via que debitará fascinantes e empoladas informações de antropologia e da biologia, misturada com algum fantasia.
Escrito numa linguagem por vezes irónica, noutras divertida ou sarcástica, o romance está cheio de humor e é com interesse que se lê a geografia e a antropologia de Lisboa e dos portugueses, que se contacta com o rei D Carlos e uma certa crítica social desde a Alemanha, passando por Paris e terminando em Lisboa, infelizmente sem as restantes etapas anunciadas na obra por esse mundo fora e quando Félix ainda era um jovem de 20 anos que se percebe teria chegado à velhice por algumas pistas que vão sendo deixadas no relato feito. Um romance acessível, interessante e que vale a pena ler.

7 comentários:

Pedrita disse...

esse eu não li. a montanha mágica está entre os meus livros preferidos. beijos, pedrita

ematejoca disse...

Um excelente texto sobre Bekenntnisse des Hochstaplers Felix Krull, um romance encantador, embora não seja uma obra-prima de Thomas Mann, como Der Zauberberg, Joseph und seine Brüder, Doktor Faustus.

Respondi ao seu comentário sobre GERMANY 2064.

Carlos Faria disse...

Sim concordo não chega sequer a Doutor Fausto, o primeiro grande livro que li dele. Quando falei em dimensão, estava-me a referir número de páginas, como penso que se deduz.
Nunca li José e seus irmãos, anda esgotado por cá, mas penso que será editado em breve.

Pedrita
Penso que ia gostar de ler o que Mann diz dos Portugueses e de Lisboa, aliás ele tem ascendência brasileira, sabia?

ematejoca disse...

Claro que eu também gostei de ler o que o Thomas Mann diz dos Portugueses e de Lisboa. O romance é magnífico, só que não é uma obra-prima como os outros. Eu amo a novela Morte em Veneza.

A mãe era a brasileira Júlia da Silva Bruhns, de quem herdou o gosto pelas artes.

Saudações de Düsseldorf. HELAU!

DIARIOS IONAH disse...

Eu li dois volumes de Jose e seus irmãos que aqui no Brasl foi editado como uma trilogia. O terceiro volume ainda não li, embora esteja na minha prateleira. Te fiz uma pergunta la meu no post do blog abrkdbra-coisasdavida sobre o livro ENTRE OS FIEIS , do V.S.Naipaul. Agradecida se me responder.

nuno martins disse...

Mann é outro dos meus autores de eleição, já li vários dele mas esse ainda não, mas fiquei com "a pulga atrás da orelha"
Abraço

Carlos Faria disse...

Embora tenha estrutura para atingir a dimensão de A Montanha Mágica, não teria a envergadura desta obra-prima