segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

"Os jardins da memória" de Ohran Pamuk


A trama de "Os Jardins da Memória", do laureado com Nobel Ohran Pamuk (o título original traduzir-se-ia por "O livro negro"), é a investigação levada a cabo pelo protagonista para encontrar a sua mulher e prima, desaparecida voluntariamente, através de uma pesquisa que mergulha nas suas memórias familiares e nas pistas dos textos do cunhado/primo: um cronista famoso cujos escritos se centram na forma de sermos nós próprios, na busca da nossa verdadeira identidade baseado nos saberes esotéricos, místicos e histórias sobre a cidade de Istambul e do povo otomano.
O protagonista vai descobrindo que ele, como todos nós, frequentemente querermos incarnar o nosso ídolo, que somos parte de outros que nos influenciaram e cujas memórias - as flores do jardim do que somos nós próprios - mostram quanto mudamos e quanto o mundo muda nos nossos olhos com essa evolução. Tudo isto numa cidade cuja história sempre foi de transição entre a cultura oriental e ocidental, entre o islamismo e o cristianismo, entre a tradição e o modernismo e sem nunca saber qual a sua real identidade, tal como a Turquia, cuja história é narrada ao estilo de contos da sabedoria oriental.
O romance é interessante e o tema talvez não pudesse encontrar um melhor enquadramento geográfico e cultural que o da cidade de Istambul/Constantinopla/Bizâncio, todavia o livro não é de fácil leitura. Intercalando capítulos que são crónicas publicadas no jornal, enraizadas no saber esotérico e místico, que nos dão pistas para os outros que narram o drama que se vai desenrolando no interior do protagonista e na sua busca para encontrar a sua identidade, a sua esposa e o primo que se esconde, a obra origina um texto denso e cíclico como as ideias fixas sobre o tempo e as memórias em Proust, agravado pelas múltiplas referências culturais e históricas estranhas a um ocidental. Todavia fez-me ficar muito interessado em conhecer Istambul.
Um livro que é bom, mas cuja dificuldade leva a só o recomendar a quem gosta de ler obras que dão luta.

8 comentários:

Pedrita disse...

adoro esse autor. esse eu não li. nao li tb esse de allende. estou com um dela aqui na fila a ler. beijos, pedrita

Carlos Faria disse...

Disseram-me que esta é a obra mais difícil de Pamuk, é boa, mas nem sempre é fácil

Denise disse...

Olá Carlos!

Gosto muito do autor. Um dos livros mais marcantes p/ mim é dele: «A Vida Nova». Se ainda não leu, recomendo.
Este ainda não li...

Boas leituras!

Carlos Faria disse...

Este foi mesmo o primeiro livro de Pamuk. Espero ter oportunidade de ler outros que também me têm recomendando em grupos de leitores.

olhodopombo disse...

Aqui no Brasil ele foi traduzido como "O livro negro" e é simplesmente maravilhoso. Quase não respirava enquanto ia lendo....
amo esse autor. Dei de presente para a minha filha essa tradução portuguesa!

olhodopombo disse...

Aqui no Brasil o titulo é O LIVRO NEGRO, e eu li quase sem respirar.
Num folego só.
Dei para a minha filha Surya, essa edição portuguesa.

Carlos Faria disse...

Quando coloquei a tradução literal do título foi por prever que talvez no Brasil tivesse respeitado a versão original.
Eu gostei do livro, mas não deixa de ser uma obra que exige um leitor com maturidade para apreciar a escrita.

olhodopombo disse...

O que exige de todo bom livro. Um amadurecimento para sua melhor apreciação. Eu gosto de todos os livros do Orhan Pamuk que eu li.E tem alguns que eu li duas vezes. .