sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

"Crime e Castigo" de Fiódor Dostoiévski


"Crime e Castigo" de Fiódor Dostoiévski que acabei de ler é considerado uma das obras mais importantes da literatura mundial e de facto pela densidade psicológica, profundidade do tratamento das personagens, reflexões e conteúdo considero que é um dos romances mais marcantes que li até hoje.
A obra não começa com o crime, este só é feito após a exposição da situação de miséria económica do autor, da sua depressão psicológica e da reflexão sobre as condições que este estudante considera para justificar o assassinato. A partir de então começa uma espécie de thriller psicológico onde o próprio protagonista se tortura com a sua angústia da validade dos seus fundamentos, da necessidade de ajudar  outras personagens em dificuldades como compensação do seu ato e a sua discussão com os próprios elementos da justiça com uma argumentação para desviar a acusação, investigadores que lhe dão réplica contra-argumentando precisamente no campo da psicologia com que se debate o criminoso. Teremos então apenas um castigo psicológico autoinfligido que deixa pistas ou a descoberta e julgamento do criminoso?
Em paralelo há um desfilar de personagens, familiares, amigos, conhecidos e estranhos, com as mais diferentes  personalidades no campo da ética, moral e condições sociais, vítimas ou privilegiadas dos do sistema vigente que servem de contraponto no debate a todas as questões de princípio filosófico levantadas pelo estudante, nomeadamente se um crime pode ser um ato de justiça, de heroísmo e se todos estão sujeitos ao cumprimento da Lei.
Uma obra-prima interessantíssima, que pela sua profundidade pode não ser acessível a todos os leitores.Gostei muito.

9 comentários:

Manuel Cardoso disse...

é um dos livros da minha vida. Todo o poder da mente humana. O mundo interior que uma pessoa é capaz de fabricar e um castigo que pode ser mais poderoso que o de qualquer instituição

Pedrita disse...

o meu preferido dele ainda é irmãos karamazov que tenho aqui. mas eu gostei muito de crime e castigo que li há muitos anos emprestado de uma biblioteca. eu adoro o estranhamento que a obra traz. adoro pamuk, esse que está lendo não li. beijos, pedrita

nuno martins disse...

Gosto dos "Russos", mas Dostoiévski é daqueles autores que tem (infelizmente) ficado para trás, ando há muito tempo para lhe pegar mas aparece sempre outro que o ultrapassa...
Dos "Russos" tenho lido maioritariamente os "contistas", Tchekhov e Gogol que gosto bastante.
Abraço

Carlos Faria disse...

Pedrita
Apesar de para alguns Os Irmãos Karamazov ser a principal obra deste escritor, a mim tocaram-me mais Os demónios e este.

Nuno Martins
curiosamente gostamos ambos de russos mas temos privilegiado autores diferentes: eu tenho lido sobretudo Dostoievski e Tolstoi, são bem diferentes um do outro, mas gosto de ambos, o primeiro numa luta mais psicológica ou segundo mais moralista.

Manuel Cardoso disse...

O meu preferido também é Os Irmãos Karamazov pela profundidade da análise social, política e psicológica.
Tolstoi é um moralista mas também é um marco histórico. Guerra e Paz é um daqueles livros que mudou a história da literatura. E da História...
A propósito, há um livro muito pequenino que é uma pérola: A Morte de Ivan Ilich

Carlos Faria disse...

Espero este ano ler A Morte de Ivan Illich, vamos a ver se calha. Guerra e Paz já falei neste blogue, é de facto um marco literário com uma análise sobre a guerra e sobre Napoeleão.

nuno martins disse...

Por acaso já li "A Morte de Ivan Ilich" e gostei bastante, é pequeno lê-se de uma só vez, também tenho o "Guerra e Paz", uma edição especial que saiu no Público em 6 volumes, mais um que está na famosa lista de espera...
Em relação ao meu livro "J", sim de facto não me expliquei bem, apesar de estranho o livro é bom e sim recomendo, é essa mesma estranheza que nos faz embrenhar na leitura do mesmo.
Abraço

DIARIOS IONAH disse...

Eu li Crime e Castigo duas vezes. Era meu preferido até ler "O Idiota", que é de longe o meu livro preferido dele. Aqui no Brasil foi lançado um chamado "O Adolescente", que eu nem sabia que ele tinha escrito, mas que está na minha lista dos novos livros a adquirir em 2016. Escritor denso, paranoico, antissemita, mas realmente muito bom!

DIARIOS IONAH disse...

Respondi a seu comentário no meu blog abrakdbra-coisasdavida.blogspot.com