sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Decameron ou Decamerão de Giovanni Boccaccio


"Decameron" ou Decamerão, de Giovanni Boccaccio, é uma obra que reúne 100 contos narrados ao longo de 10 dias úteis, por 10 jovens (7 raparigas e 3 rapazes) na sequência da decisão destes em se recolherem num espaço rural para gozar a sua juventude, ouvindo histórias e canções por puro prazer para esquecer a amargura dos tempos que a cidade de Florença vivia em virtude de estar assolada pela peste negra que martirizava a Europa.
Todos os dias um jovem diferente foi coroado rei ou rainha e assume o tema do seu reinado, vão-se então narrando estórias eróticas, de crítica social e à hierarquia da igreja, de infidelidade conjugal, de inteligência feminina ou masculina, de bondade, de amizade que na sua maioria abrigam uma lição de moral.
Tanto a linguagem como os temas abordados têm uma liberdade de expressão que surpreende, desde a ironia subtil, à ligeira brejeirice subentendida, aos ataques mordazes dos pecados do clero e da castidade, mas também se passa por momentos dramáticos de sentimentalismo exacerbado, outros racionais e outros de magia. Assim o livro constrói um ramalhete de lazer nada previsível numa obra da idade média, sendo por isso considerado um marco da literatura para a passagem desta da subserviência religiosa para a esfera profana.
Pela quantidade de contos e sua independência, é possível evitar a saturação intercalando as narrações com pausas para  a leitura de outros livros. Apesar da sua ligeireza e facilidade, poderá chocar algumas mentalidades mais conservadoras que não reconheçam que a brincar se pode fazer importantes denúncias morais, aspeto inclusive assumido por Boccaccio na sua nota final. 

5 comentários:

Pedrita disse...

quero muito ler. não li esse que está lendo agora. beijos, pedrita

Carlos Faria disse...

É uma estreia absoluta neste escritor Espanhol.
Relativamente ao Decameron, penso que é preferível ler com calma sem ter a preocupação de percorrer de rajada todas as 100 histórias, embora algumas sejam mesmo muito pequenas.

Pedrita disse...

carlos, deve ser como ler os miseráveis. uma leitura para degustar calmamente.

Carlos Faria disse...

Com a vantagem de aqui todas as histórias serem independentes, embora haja um grupo de personagens que se repetem num número pequeno de contos.

nuno martins disse...

Aqui está um dos livros que fazem parte da minha lista "Leituras durante a reforma" eheheh ou seja livros para ler quando (espero eu) não tiver nada mais com que me preocupar na vida para aproveitar ao máximo a leitura dessas obras clássicas.