segunda-feira, 26 de outubro de 2015

"O Estrangeiro" de Albert Camus


Reli "O Estrangeiro" de Albert Camus, prémio Nobel de 1957, obra lida na década de 1980 e que me marcara em profundamente. A nova leitura foi para me relembrar do conteúdo desta novela, uma das mais famosas do século XX, dado que a obra que pretendia ler a seguir retomar um outro lado desta ficção.
O Estrangeiro, uma novela que nem chega a 100 páginas, é o relato na primeira pessoa da vida de um francês de Argel a seguir ao falecimento da sua mãe, onde agiu de acordo com as circunstâncias do momento e sem se preocupar que os seus atos pudessem chocar o senso-comum, ações que após um crime circunstancial vão ser usadas contra ele em julgamento e só então se apercebe da distância que existia entre ele e o mundo.
Albert Camus, que também foi filósofo, nesta obra mostra o seu modo de pensar: só o indivíduo entende bem os seus atos; muitos destes são irrefletidos e só coerentes com o seu sentir. Ao ouvir-se o mundo que nos cerca tomamos consciência como se pode viver desenquadrado com a sociedade e ser-se um estrangeiro na sua terra e exposto às interpretações mais díspares sobre o comportamento que se teve na vida diária.
Escrito numa linguagem muito concisa, simples e direta ao que se quer dizer, apesar de tudo profunda, aliciante e bela, Camus mostra um protagonista perdido na sua terra, cuja vida foi a das sensações do momento e como tal pode conduzir a um absurdo para o mundo. Absurdo que Kafka já explorara, mas aqui a personagem vem a perceber a sociedade, mas esta não vai entender o protagonista e este ao consciencializar-se do desencontro percebe o seu existir ou o seu modo de ser. Apesar de um fundo filosófico, é um livro de leitura muito fácil que maravilha a maioria dos seus leitores e daí o seu sucesso e recomendo a todos a sua leitura

5 comentários:

Pedrita disse...

imaginei que ia ler rapidinho. é intenso mas curtinho. ah, releu, eu sempre tenho crise pra reler, sempre acho que estou perdendo tempo. é tão importante reler, mas eu sempre perco a coragem. eu amei mas a peste ainda é o meu preferido. não conheço esse autor e livro que está lendo agora. beijos, pedrita

Carlos Faria disse...

A peste é muito diferente deste, gosto dos dois, mas são obras bem distintas.
O livro que estou a ler é uma visão de um familiar do árabe morto por Meursault, O estrangeiro de Camus.

Pedrita disse...

carlos, realmente são bem diferentes.

Os Incansáveis disse...

Acho que está na hora de eu reler também esta obra. Estou na fase das releituras.
Denise

nuno martins disse...

Também li "O Estrangeiro" há alguns anos atrás, nos meus vintes e poucos, impressionou-me um pouco na época, também o hei-de reler para ver que sentimentos me trás agora com mais idade e "experiência"... Mas apesar de tudo é uma excelente obra, Camus é para além de um grande filósofo é um grande escritor e a junção das duas qualidades só pode resultar numa grande qualidade literária.