domingo, 26 de julho de 2015

"Anna Karénina" de Lev Tolstoi

O romance "Anna Karénina" é muito mais que a mera narração da paixão avassaladora desta exemplar senhora de sociedade por Vronski e do seu adultério assumido: cuja relação egoísta evolui para a desilusão, rejeição social e acaba em tragédia; pois é também o relato paralelo da história contrastante do amor de início inseguro de Kontantin Levin por Kitty, que pelo altruismo prossegue num crescendo para a felicidade integração social e serve a Tolstoi de contrapeso moral.
Entre estes dois casos de igual importância no romance, há um conjunto de personagens, alguns constituindo casais, que unem os protagonistas e servem para: denunciar a hipocrisia da vida em sociedade; a desigualdade de tratamento na infidelidade do homem e da mulher na nobreza; as virtudes da maternidade num casamento; o possível aproveitamento dos valores cristãos para o desrespeito humano; a futilidade da vida urbana face à utilidade da atividade rural; os vícios de domínio das classes sociais mais poderosas face às dificuldades do povo; as questões filosóficas da existência de Deus, da crença contra a razão e dos valores éticos e morais e discute-se ainda as potencialidades e condicionantes do desenvolvimento económico e cultural da Rússia em comparação com as outras potências da Europa. O livro é um tratado profundo de muitos problemas e desonestidades que minam as relações humanas e um louvor ao amor altruísta e um crítica à paixão egoísta. Um grande romance que é uma obra-prima e muito maior que uma mera estória romântica.
Nesta edição há posfácio de Nabokov, este reabre o dilema de qual é o maior escritor: Tolstoi ou Dostoiévski; este russo não tem dúvida em colocar o autor de Anna Karénina por cima, eu pessoalmente, além de outros aspetos em que discordo do que ele escreve, mantenho que não consigo decidir quem é de facto o maior de entre estes dois grandes vultos da literatura russa.

9 comentários:

Marta disse...

Carlos, estou consigo por também não consigo decidir quanto aos 2. Nabokov tem de facto uma opinião péssima no que respeita Dostoievsky.
Mas se pensarmos que Tolstoi tinha dinheiro e que Dostoievsky escrevia com prazos para poder comer, dá que pensar.
Há um livro muto bom, escrito pela sua mulher em que tudo isso é bem relatado.

E Tolstói sempre foi infinitamente muito melhor pago.
Bom domingo

Carlos Faria disse...

Desconhecia essa questão financeira que limitava a liberdade artística de Dostoievsky. Efetivamente Nabokov neste posfácio não é nada meigo com o autor de Os irmão Karamazov e até me chocou o distanciamento que faz a este.

Pedrita disse...

eu tb acho anna karenina muito político. esse livro é maravilhoso. beijos, pedrita

Carlos Faria disse...

É político, mas também bastante filosófico na perspetiva religiosa.

Denise Zanella disse...

Eu já prefiro Dostoievisk em um livro chamado noites brancas ele fala das contendas que tem com esses ''amigos '' que são o nabokov e outros dois que eu esqueci o nome e ele conta que vivia em um porao e por isso éra tratado com desprezo pelos seus amigos

Carlos Faria disse...

Noites Brancas está no pacote das obras que gostaria de ler, mas que ainda não li.

Pedrita disse...

carlos, terminei de ler o livro do joão tordo. comentei no seu post sobre o joão tordo. mencionei vc no blog.

Wislanny Martins disse...

Oi, Carlos!
Como você viu minha opinião, acho o livro incrível!Gostei demais de saber sua opinião.
Bem, fica até complicado escolher entre esses dois russos talentosos qual é o melhor. Mas, confesso que Tolstói anda me fazendo gostar ainda mais de suas obras.
Beijo.

Carlos Faria disse...

Penso que para o leitor Tolstói é mais fácil de se ler, Dostoievski com as loucuras das suas personagens e encontros quase teatrais pode geral alguma confusão, mas Wilanni, este é um escritor cheio de mensagens subliminares.