sexta-feira, 18 de abril de 2014

"À espera no Centeio" de J. D. Salinger


Quando comprei o livro pouco mais sabia de que se tratava de uma obra da década de 1950 e das mais polémicas da literatura dos Estados Unidos.
O romance mais conhecido de J. D. Salinger "À espera no Centeio" cujo título corresponde a um verso da letra de uma canção que já perto de fim o protagonista, Holden Cauldfield, explica como a metáfora do modelo do seu  não-projeto de vida futura.
Holden, um jovem de 16 anos de uma família de elevados rendimentos, relata no livro, na primeira pessoa, de uma forma direta e numa linguagem despreocupada juvenil (penso que a tradução a atualizou o linguajar ao dos adolescentes da presente década), o seu último dia num colégio privado onde, à semelhança de outros anteriores, é mais uma vez reprovado, bem como a sua fuga sem plano para Nova Iorque onde vivia até chegar ao dia agendado para de facto regressar a casa nas sua férias do Natal.
Ao terminar a obra concluo que é apenas a descrição do que pode ser a queda de um adolescente protegido, contestatário, sem norte, sem perspetivas de vida, inteligente e convencido que é adulto... a única razão para a polémica talvez seja ele poder ser o retrato cru de muita gente nova com quem a sociedade não sabe lidar e por isso alguns críticos refugiam-se na crueza dos termos, na forma livre como o protagonista fala e procura descobrir a sexualidade e os seus receios face ao que o cerca.
Gostei do livro mais pela descrição do problema social do que pelos rótulos vindos de pruridos que falsas morais tentaram acusá-lo.

7 comentários:

ematejoca disse...

"This unsual book may shock you, will make you laugh, and may break your heart - but you will never forget it!"

Carlos Faria disse...

Só não me chocou, por vezes fez-me rir, outras enternecer, fez-me refletir na juventude e penso que jamais o esquecerei.

Pedrita disse...

eu não me animei de ler essa obra. quem sabe um dia. beijos, pedrita

Carlos Faria disse...

Eu percebo que não se tenha animado, mas penso que tal se deve mais ao facto de ter sido tão polémico, até interdito nalguns locais e ao ser considerado por outros uma obra-prima, ficamos à espera de ficar ou chocados ou cativados, afinal gostei e não vi os motivos para uma ou outra coisa e isso gera desilusão face ao que se esperava, a última frase do meu artigo reflete essa falta de animação que sentiu.

Pedrita disse...

carlos, na verdade, os exageros a ser um best-seller que me desanimaram. falei de livro no meu blog. uma autora que adoraria que vc desvendasse.

Os Incansáveis disse...

Li este livro no original em inglês e gostei. Independente da época que foi escrito e da classe social, o ser humano quando está nessa fase de passagem da adolescência para a vida adulta tem muitas dúvidas e questionamentos que a sociedade, de um modo geral, não sabe lidar adequadamente.
(aqui no Brasil, o título foi traduzido como "O apanhador no campo de centeio")
Denise

Carlos Faria disse...

O título no Brasil é mais coerente com o verso e título no original, em Portugal é mais com a ideia de ficar à espreita para depois atacar o que aparece explicado no texto.
Poderia ser traduzido em Portugal também por "A apanhar bonés" que também não era ilógico no contexto da estória e tem a ideia por cá de alguém que não consegue se enquadrar no que se passa à sua volta.