quarta-feira, 29 de maio de 2013

Veneza - explorando uma monumental cidade-mar


Hoje uma visita a uma cidade única Veneza, palácios e mais palácios, ruas que são vias de água, romantismo, arte, cultura... não sei como é o impacte de ver uma cidade assim, mais tarde espero relatar e reportar o que terá sido as sensações sentidas neste mundo tão diferente.

domingo, 26 de maio de 2013

Milão - no coração da ópera

Imagem Wikipedia

Retomei o meu périplo pelas grandes óperas do ocidente que cobria nas minhas viagens de férias, desta vez coube aquela que será talvez o coração europeu desta forma de arte, o Teatro alla Scala de Milão.

Imagem Wikipedia

Hoje, na semana em que se comemorou os 200 anos de nascimento do compositor devo devo celebrar a efeméride com a grande récita Die Götterdämmerung (O crepúsculo dos deuses) de Wagner, que fecha o ciclo do Anel dos Nibelungos, uma extensa e magnífica ópera onde todos os temas musicais desta epopeia de deuses, humanos, monstros se reexpõem de uma forma magnífica.

Um vídeo com o final desta excelente ópera cantada por Iréne Theorin a Brünnhilde da representação de hoje e bem diferente do libreto de Wagner, mas ópera é algo dinâmico sempre em evolução... por coincidência Siegfried é um compatriota meu, o canadiano Lance Ryan. 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Lisboa - Feira do Livro 2013

Já há mais de uma década que não passava por Lisboa durante a feira do livro, felizmente ontem este interregno foi interrompido e estive presente até no momento da inauguração.
Muitos milhares de livros com descontos, diversidade de temas, alfarrabistas (sebos no Brasil) para relíquias ou obras já esgotadas, presença de autores com sessões de autógrafos, lançamentos de novos títulos, tudo isto no coração verde e de uma beleza paisagística deslumbrante no Parque Eduardo VII em Lisboa cujo tempo parece estar a dar uma grande ajuda com um céu tão azul e temperaturas agradáveis.
As minhas aquisições nesta feira já começaram... aproveite!

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Siddhartha de Hermann Hesse

Apesar do nome, trata-se de uma autorreflexão de uma vida paralela e contemporânea de Buda que por sua vez é uma personagem secundária da obra.
Siddhartha, homónimo de Siddhartha Gautama - Buda, vindo de famílias sacerdotais abastadas, vive na angústia da busca da plena sabedoria e do estado de perfeição. Abandona tudo e vai experimentar a via da humildade e do apagamento do Eu e desilude-se. Volta-se então pela vida ascética da contemplação e desilude-se. Passa então à recusa de todas as doutrinas pré-construídas e experimenta a sua própria via, a vida real, o amor e os vícios sociais e novamente encontra a desilusão. Até que por fim encontra o equilíbrio representado por um rio e exposto por um barqueiro que lhe ensina a terceira via da unidade que funde tudo neste mundo e o torna perfeito.
Um livro em estilo de filosofia oriental que tenta ser uma lição de vida e evidenciar a viabilidade de uma pessoa conseguir o equilíbrio e o bem-estar nesta vida que nos desilude quando se busca um objetivo em detrimento da abertura e aceitação do que nos cerca e de regrar tudo isto.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Os livros de devoraram o meu Pai - Afonso Cruz

Vivaldo Bonfim viciado em leitura perde-se no interior de um livro de H G Wells para nunca mais se encontrar no mundo "real" quando o seu filho era ainda criança, até que um dia a este é oferecida a biblioteca do Pai. Estão então criadas as condições para a busca do progenitor na escrita vertiginosa, irónica, subtil, crítica e profundamente introspetiva de Afonso Cruz que mistura a vida "real" do protagonista e os encontros deste com importantes personagens da literatura mundial.
Afinal o mundo real não é muito diferente do ficcionado, até por que crimes e castigos todos somos capazes de cometer, muitos buscam a inocência imaginada no comportamento animal e acalmar as nossas culpas e preocupações.
Um livro que pode parecer juvenil, mas que deixa profundas pistas para reflexão aos mais adultos, de pequena dimensão, permite uma leitura rápida como um aperitivo literário para se conhecer Afonso Cruz.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

O som e a fúria de William Faulkner


Entrar n'O Som e a Fúria de William Faulkner é como deixarmo-nos mergulhar num sonho, uma sequência de cenas e diálogos misturados no tempo e no espaço que nos deixa atados num estória que só ao fim de um certo período se começa a tornar clara e a compreender-se a estrutura do texto, a identificar corretamente as personagens e a coerência dos factos.
Todavia, desde o primeiro momento a tensão vivida no seio da família Compson e a ambiência social numa pequena cidade do interior do sul dos Estados Unidos começa a tomar conta do leitor e a despertar interesse pelas personagens que vão emergindo deste puzzle e inacreditavelmente desperta uma paixão por elas, apesar dos seus defeitos e escassas virtudes.
No livro sentimo-nos a vaguear pelas mentes das personagens onde alguns capítulos são exposições na primeira pessoa destas e só no último se retoma uma descrição externa a todos, mas é então o momento de nos sentirmos unimos a todos acontecimentos relatados sempre com uma ternura tensa, onde se mistura rancor, complexos étnicos e ruralidade numa sociedade que evolui de forma complexa abrindo feridas.
Um romance aonde a releitura da obra levará sempre a novas descobertas e reinterpretações da estória e que por isso convida logo a reentrar mal acabamos de sair na última página. Muito interessante o livro, mas não um obra de grande facilidade de leitura.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Money / Dinheiro de Martin Amis


Uma estória de decadência individual de alguém que veio de um estrato social baixo em Londres que depois como realizador de filmes comerciais vê jorrar dinheiro na sua conta, envereda por uma via autodestrutiva de vícios álcool, sexo, pornografia... dinheiro e embarca na aventura de fazer uma longa-metragem sobre dinheiro em Nova Iorque, outra selva dos seus vícios, onde se cruza com os hábitos decadentes dos bastidores do cinema.
Escrito num tom irónico e com um ritmo vertiginoso, o texto entra por uma linguagem grosseira e com uso intensivo de calão, o que torna a escrita muitas vezes chocante. Compreendi o que devem ter sentido os puristas e moralistas ao verem pela primeira vez "A origem do mundo" de Gustave Courbet!
Curiosamente, uma das personagens do livro é o próprio Martin Amis, na qualidade de escritor e visto pelos olhos do protagonista com toda a sua grosseria e despeito por uma profissão não muito rentável e a quem encomenda um trabalho.
Como romance retrata um estilo de vida doentio, amoral, sem cultura ou referências e onde a maturidade não acompanha os rendimentos. Amis não se coíbe de nos mostrar uma mente oca, perdida que até gostaria que se perceber e de encontrar um norte, o que justifica a linguagem, mas coloca-nos a pergunta sobre onde fica a fronteira da arte quando esta procura descrever mundos marginais e proscritos.
Apesar de tudo, reconheço que o ritmo e a trama mantiveram o meu interesse na obra e até despertaram a compreensão e simpatia pelo protagonista na sua via suicida.
As interrogações levantadas talvez sejam os motivos por que alguns consideram Dinheiro como uma obra importante na literatura contemporânea inglesa e, apesar do choque, não desgostei do romance. mas só recomendo a corajosos não preconceituosos.