sábado, 6 de julho de 2013

MOLLOY - Samuel Beckett

Um romance que disserta sobre a identidade do indivíduo, dividido em duas partes que parecem jogos simétricos de situações diferentes mas onde onde se vão descobrindo semelhanças:
A primeira, contada na primeira pessoa, narra linearmente a vida quotidiana de Molloy e o mundo que o cerca e com que se relaciona; lentamente, num exercício de memória sobre o passado, passa de incógnito e vai descobrindo a sua identidade, a começar pelo nome, nas lembranças recorda que explora a mãe sem o pretender, amou mulheres sem o desejar e deixa-se encontrar num mundo do qual ele é diferente dos outros.
A segunda, novamente na primeira pessoa, alguém apresenta a sua personagem nítida, os seus hábitos, as suas relações e lentamente ao caminho no futuro vai-se isolando do mundo, perdendo a sua identidade, discorda da suas agressões ao filho mas justifica-se, obediente perante superiores sem querer mas sem contestar, vai numa busca mas não se deixa encontrar num mundo no qual ele seria mais um ser igual aos outros.
Narrações bem estruturadas num mundo estranho onde já se perspetiva o absurdo da peça dramática "À espera de Godot" que Beckett escreveu pouco depois. Um texto de fácil leitura sem ser um romance fácil, mas uma obra que literariamente dá para entender por que se está perante um grande escritor. 

1 comentário:

Pedrita disse...

eu li só uns textos do beckett e vi umas peças com seus textos. estou em débito com esse autor e sua obra. anotado. beijos, pedrita