sexta-feira, 19 de julho de 2013

Já então a raposa era o caçador - Herta Müller


Terminei de ler "Já então a raposa era o caçador" de Herta Müller, escritora romena de expressão alemã e vencedora do prémio Nobel de 2009.
O livro descreve uma série de cenas curtas que mostram o dia-a-dia de cidadãos romenos de várias profissões pouco antes da queda de Ceausescu.
Devagarinho monta o retrato daquela sociedade, uma grande maioria atravessada pelo medo, miséria, corrupção, exploração, humilhação humana e resignada, mas conhecedora da classe dominante gestora do sistema, minoritária e com acesso a alguns bens, essenciais ou não, que parecem sempre um luxo reservado.
Sente-se o receio da maioria pelos sinais deixados de uma polícia secreta que tudo controla e se insinua por pistas simbólicas: na pele de uma raposa, nas cascas de pevides que deixa, nos inquéritos que promove e pela proteção e prendas a quem cativa.
Gostei da estória, das personagens e dos símbolos. Não gostei da escrita: troca de atributos dos sujeitos das frases com os complementos, o que amplia o efeito das pessoas como autómatos impotentes perante a realidade; metáforas por vezes forçadas e desagradáveis; e ausência de pontos de exclamação e de interrogação, um estilo que não me agradou.
Apesar de tudo, pelo retrato que constrói nos tempos em que vivemos: recomendo a leitura.

4 comentários:

Pedrita disse...

eu quero ler algum livro dela desde q ela ganhou o nobel. beijos, pedrita

Anónimo disse...

talvez o senhor seja limitado intectualmente para ler este livro, honestamente é o que me parece. post completamente estúpido.

Carlos Faria disse...

Parabéns pela sua capacidade Sr. Anónimo cheio de coragem para assumir a sua ideia. Agora a minha opinião está dada e assumida com identificação de quem a deu.

Pedrita disse...

eu vou querer ler esse tb. o compromisso são tramas curtas, mas da mesma personagem ou de uma ou outra pessoa q a cerca. gostei muito. beijos, pedrita