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domingo, 23 de agosto de 2026

"Extinção" de Kazuaki Takano

 

Excerto

"Todos os humanos desejam magoar o próximo para lhes arrancar a posse de alimentos, recursos e terra. Projetamos as nossas verdadeiras ideias nos nossos inimigos, tememo-los e atacamo-los. E, ao usarmos de violência contra os outros, a nação e a religião tornam-se os sistemas de suporte que perdoam as nossas ações. Os nossos feitos maldosos passam a ser defensáveis, porque consideramos estranhas as pessoas fora desse enquadramento. O inimigo."

Acabei de ler um romance de suspense do japonês Kazuaki Takano "Extinção" com que requisitei Biblioteca pública da Horta e laureado com vários prémios de ficção criminal e mistério.

Um mercenário - com um filho a morrer de uma doença genética, por dinheiro para o salvar através de um especialista da doença em Lisboa - é contratado, com mais 3 outros, para eliminar um grupo nómada na floresta do Congo que dizem estar contaminado por um vírus letal para a humanidade, enquanto vários investigadores no Japão estão empenhados na descoberta da substância que cura o defeito do gene, mas o núcleo do Presidente dos Estados Unidos supervisiona e manipula estas situações para esconder desumanidades e eliminar uma ameaça aos seus interesses pessoais e nacionais.

Apesar de a história ser um ficção e ter uma componente de especulação científica com o aparecimento de seres sobredotados de inteligência, o romance parece ser uma denúncia da presidência de George W Bush, embora com um heterónimo, pelo que aquilo que me parecia ser apenas uma obra de suspense para ler no verão, tornou-se num texto de ação vertiginosa, com momentos de exposição da grande violência que existe no centro de África e reflexões sobre o egoísmo na espécie humana, a tendência para a guerra e com um grande enfoque no abuso do poder dos Estados Unidos contra vários povos sem qualquer escrúpulo e no desrespeito total das pessoas.

A narrativa é muito cinematográfica e, apesar de toda a crítica e reflexão sobre a violência na espécie, cativa o leitor e gostei e entusiasmei-me muito, mas, ao contrário dos filmes de Hollywood, neste romance os Estados Unidos e o seu poder são mesmo maus na fita, agentes manipuladores, extremamente cruéis e hipócritas na civilização global, mas também a espécie humana é alvo de grande suspeita na sua bondade... a obra é anterior aos mandatos de Trump.

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