terça-feira, 16 de outubro de 2018

"Os loucos da rua Mazur" de João Pinto Coelho


Acabei de ler "Os loucos da rua Mazur" do escritor português João Pinto Coelho, o romance que venceu o prémio Leya em 2017. É o segundo livro que leio deste autor em menos de um ano e ambos com memórias de sobreviventes ao período da II Grande Guerra na Polónia sob a ocupação estrangeira.
Um livreiro idoso em Paris em 2001 é contactado por um escritor famoso e sua mulher editora, pretendem escrever a história do que se passou na sua cidade durante a II Grande Guerra, logo se descobre que entre os três houve um passado longínquo juntos que deixou feridas muito fortes. A escrita desse passado dói a todos e assim vai sendo composto o que se passou naquela cidade no leste da Polónia, onde duas comunidades: uma cristã e outra judaica, coexistiam em bairros distintos e desconfiança mútua fomentada pelos seus líderes, mas tolerando-se em tempo de paz. É neste burgo que eles adolescentes se tornaram amigos: um cego judeu, outro cristão e ela filha de uma proscrita suspeita de bruxa. A amizade cresceu, mas a paixão alimentou o ciúme do preterido, então o País é invadido, a zona é primeiro ocupada por estalinista que querem moldar as pessoas, a pressão é mais forte com os polacos, os outros temem mais os que virão depois, os nazis e a retaliação será o pior vinda dos polacos. Nesta guerrilha o ciume leva à traição de uma amizade que deveria ser superior aos diferendos da cidade.
Um livro, que intercala capítulos do passado com mágoas do presente, denuncia uma realidade passada na Polónia que hoje muitos pretendem reescrever para apagar a sua culpa, existem memórias muito negras neste romance, há culpados em todos os lados, mas neste terror nem sempre foi preciso os nazis agirem, muitos aproveitaram a guerra para sujar as mãos em nome da fé, do racismo e da intolerância à sombra de um País ocupado por ditadores estrangeiros.
A escrita é escorreita e simple serve de suporte ao relato de uma história pouco falada que envergonha muitos polacos. Fácil leitura.

6 comentários:

Bárbara Ferreira disse...

Li este livro no início do ano e gostei mesmo muito. Falta-me, agora, ler o primeiro do autor.

Carlos Faria disse...

Penso que o Perguntem a Sarah Gross é de mais fácil leitura e em termos históricos menos surpreendente pois de facto o que conta do passado está conforme o que pensamos que aconteceu naquela altura.

Pedrita disse...

fiquei interessada. beijos, pedrita

Kelly Oliveira disse...

Oi Carlos, fiquei muito interessada nesse livro. Amo livros que trabalham a questão da memoria seja qual contexto for...

Carlos Faria disse...

Pois este livro trabalha bem uma memória incómoda que se quer apagar...

Pedrita disse...

carlos, falei de livro no meu blog.