terça-feira, 24 de abril de 2018

HAG-SEED de Margaret Atwood - Semente de Bruxa


Excertos
"How he has fallen. How deflated. How reduced. Cobling together this bare existence, living in a hovel, ignored in a forgotten backwater; whereas Tony, that selfpromoting..."
"The Tempest is a play about a man producing a play - one that's come out of is own head, his 'fancies' so maybe da fault for wich he needs to be pardoned is the play itself."

Acabei de ler no original o romance "Semente de Bruxa" da famosa escritora canadiana Margaret Atwood: "Hag-seed". A leitura desta obra imediatamente a seguir à de "A Tempestade" de Shakespeare que falei aqui foi intencional pelo conteúdo da mais recente. Pois este romance integra um projeto que envolve vários importantes escritores convidados anglo-saxónicos de produzirem obras tendo como referência peças Shakespeare. A Atwood coube precisamente A Tempestade.
No romance, Felix, o diretor de um festival de teatro, vê o seu cargo usurpado por uma pessoa de confiança, Tony, e retira-se para a sombra da sociedade, algo semelhante acontecera a Próspero, o protagonista de A Tempestade, na usurpação do seu ducado. O antigo diretor concorre mais tarde para um curso de literatura numa prisão, um meio reabilitação social dos presos, no que coloca Shakespeare no centro das suas aulas, até que surge a oportunidade de se vingar dos usurpadores que no exterior brilham após o terem pisado e faz isto precisamente através da encenação da peça de que fora injustamente demitido, dá-se então uma  fantástica e dupla recriação paralela da história narrada pelo inglês com a vida das personagens do romance, onde se evidenciam os dotes dos detidos que na realidade são capazes de operar maravilhas sob a liderança de um diretor artístico como Felix.
A imaginação de Atwood no encenar e no comparar situações entre a montagem da peça e vida dos artistas é genial, criando uma trama divertidíssima, cheia de paralelismos e de mensagens subliminares ao nível do papel cultura na reabilitação das pessoas. O livro retoma os dilemas entre vingança e perdão e ainda a demonstra que Shakespeare se mantém atual, sendo que as descrições psicológicas das suas personagens já com séculos podem perfeitamente retratar pessoas de hoje.
À semelhança do livro que antes lera, também após a conclusão da narrativa de A Tempestade, há, mas aqui dentro do romance, um análise sobre as possibilidades de continuar a história após o epílogo da peça.
Um romance satírico que denuncia vícios sociais e políticos atuais, mostra o papel formativo da cultura, fácil de ler e que numa apreciação da obra resumo:  Brilhante, magnífico e adorável!


2 comentários:

Pedrita disse...

ai que inveja, sou fã dessa autora. e muito grata a minha amiga que doou vários livros dela e muitos dessa autora. como minha amiga tem no idioma original achou que não tinha sentido ter em dois idiomas o mesmo livro lido. e eu que levei a melhor. mas acho que esse não tenho. eu fico impressionada com a capacidade dessa autora falar de temas controversos em livros quase de ficção científica. fiquei curiosa. não sabia desse movimento em torno da obra a tempestade de shakespeare. beijos, pedrita

Carlos Faria disse...

Ola
O projeto não é só em torno de A tempestade, cada escritor tem uma peça diferente, por exemplo Gillian Flynn tem Hamlet, Jo Nesbo tem MacBeth, etc.são pelo menos oito peças diferentes já publicadas.
Atwood lê-se muito bem pois tem uma escrita com um inglês fácil. Sim, muitas vezes refugia-se na distopia futura para falar de males atuais. Tenho em casa mais dela em espera adquiridos quando fui no ano passado ao Canada