terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Ficção Curta Completa de H. G. Wells - Volume I


Citações
"Nas novas condições de conforto e segurança perfeitos, aquela energia inquieta, que em nós é força, tornar-se-ia fraqueza."
"Onde não há mudança, nem necessidade de mudar, não há inteligência."

Este livro, além de conter a famosa obra "A Máquina do Tempo", tem ainda uma coletânea de 34 contos de H. G. Wells um inglês e um dos pais da ficção científica do final do século XIX até meados do XX.
Sem dúvida que o texto mais marcante do livro é: "A Máquina do Tempo", um cientista destemido não só a cria, como viaja e depois vem relatar a sua experiência com uma civilização distante, sucessora da nossa e muito diferente. Apesar da estória ter como base a viagem temporal, podendo classificar-se de ficção científica, a obra é, essencialmente, uma reflexão sobre os males da estratificação social, a degradação das condições laborais dos mais fracos e a degeneração associada ao bem-estar de outros à custa dos desfavorecidos, o que pode levar a reversões e a degradações perigosas em todos. Tem subjacente ideias políticas e sociais, mesmo que expostas de forma inteligente e transportadas para um mundo distópico à distância de centenas de milhares de anos, aproxima-se mais do género de Thomas More em "A Utopia" uns séculos antes, do que uma ficção científica de entretenimento.
Os restantes contos são de vários géneros e virados ao lazer: há os de divulgação científica, com incidentes e especulações mais ou menos fantásticas que caracterizam muito bem as mentalidades e a evolução da investigação em ciência na Inglaterra no final do século XIX e lembram Jules Verne; há os do género gótico, mais livres na imaginação que jogam com medos como Allan Poe; e há ainda outros mais sociais e críticos que podem ter influência de Tchekov, ou ser originais no estilo e de mensagens várias.
A escrita é muito fácil, escorreita e elegante com figuras de estilo quanto baste e recorre ao saber científico transposto para a divulgação ficcional. Torna-se evidente que Wells não só estava a par dos avanços científicos, mas também refletia sobre a ciência, criando fundamentos que seguem a forma de investigação séria, ler o modo como ele fala do espaço e do tempo em "A máquina do tempo", sabendo que a obra é anterior à teoria da relatividade, leva a supor que até Einstein se influenciou por ele na sua investigação e isto mostra que teria uma inteligência, além de cultura, excecional.
Gostei muito e fico agora à espera da saída do segundo volume deste escritor mais conhecido pela Guerra dos Mundos.

5 comentários:

Mister Vertigo disse...

Apesar de apenas ter lido "A Guerra dos Mundos", tenho aqui em casa fruto da senhora que me acompanha nos meus dias, e que é fan de ficção cientifica, "A Máquina do Tempo" em conjunto dom outros contos e reconheço que H.G. Wells (que não gostou da adaptação radiofónica de Orson Welles, da sua obra mais célebre) é um nome incontornável na Literatura. Gostei de ler o seu texto e "abriu-me o "apetite" para ler o livro de H G. Wells.
Desejo-lhe um bom feriado!
Boa tarde!

Carlos Faria disse...

Obrigado, também só lera até hoje A Guerra dos Mundos, alguns dos contos são excelentes A Máquina do Tempo é muito mais que um história de ficção científica.

Pedrita disse...

nossa, não li nada dele. mas conheço as obras das artes. nossa!!! vc está lendo obra em negro. é o meu livro preferido da yourcenar, fantástico! boa leitura. entre meus livros preferidos. beijos, pedrita

Pedrita disse...

ah, falei de livros e filmes no meu blog.

Carlos Faria disse...

Já tinha visto do que falara pois o blogue está no meu agregador de blogues que contém aqueles que sigo.
Ainda é cedo para falar deste youcenar, apenas que cada parágrafo é denso e exige atenção. Wells de facto é uma revisitação após a minha juventude e valeu a pena e quero conhecer mais ainda dele