sábado, 28 de outubro de 2017

" Grandes Esperanças" de Charles Dickens


O livro de Charles Dickens "Grandes Esperanças" que acabei de ler é considerado por muitos especialistas literários como a sua melhor obra, embora não seja a mais famosa, assim parti para o meu segundo livro deste escritor inglês do século XIX com grandes perspetivas, aliás este poderia ser a tradução do título original "Great Expectations". Como a maioria dos romances de Dickens, este também foi publicado inicialmente em folhetins nos jornais da época.
O romance narra na primeira pessoa vida do protagonista, Pip, órfão e criado desde muito novo com a irmã que o desrespeita e o seu marido ferreiro que lhe dá um grande carinho. Ainda criança cruza-se com um prisioneiro em fuga que o ameaça de morte e lhe pede comida e ele atende roubando em casa, aquele depois é preso mas fica-lhe na memória. Mais tarde é contratado para fazer momentos de companhia numa casa da cidade próxima, onde uma mulher rica, amargurada e isolada o deseja para divertimentos e onde conhece uma adotada de grande beleza, Estela. Na adolescência inicia a vida de aprendiz de ferreiro quando lhe é comunicado que alguém decidiu legar-lhe uma fortuna da qual ele só poderá aceder quando o seu benfeitor se apresentasse e interditando-o de investigar quem seria, mas teria de levar uma vida de rico e culto em Londres. A mudança alimenta as elevadas perspetivas que tinha desde criança, afasta-se dos seus bons benfeitores, inicia uma nova vida com novos conhecidos urbanos, ricos e pobre, cria novos amigos e mantém contacto com a família da amada até  conhecer quem sustentou a sua vida de fidalgo e então tudo muda, dá-se uma revolução de sentimentos com desprezo, ingratidão, amor e remorsos.
A obra está bem escrita e estruturada, é narrada ao estilo de cativar o maior número de leitores que compravam o jornal, recorre a técnicas que ainda hoje são comuns nas séries televisivas que rendem a história, com momentos de clímax de sentimentos, suspense policial, crítica social e moral, amores e ódios, é de fácil leitura, mas extensa para a complexidade da trama. Gostei, mas confesso que aprendi e vibrei mais com este livro que antes lera de Dickens.

6 comentários:

Kelly Oliveira disse...

Parabéns pelo texto sucinto Carlos. Dickens é um dos escritores que preciso conhecer, abs.

Pedrita disse...

eu adoro esse livro e teve várias adaptações para o cinema e televisão. é realmente um folhetim clássico. acho incrível como dickens consegue prender a atenção. aqui o link com o livro e a série http://mataharie007.blogspot.com.br/search?q=grandes+esperan%C3%A7as
e aqui o livro com um dos filmes http://mataharie007.blogspot.com.br/search?q=grandes+expectativas

Carlos Faria disse...

Kelly
Eu não conheço bem Dickens, este é o segundo livro dele que leio, o outro ensina-nos muito sobre a injustiça que esteve na origem da revolução francesa, o que foi o período mais violento pós revolução e com uma história de amores pelo meio para temperar o relato histórico e lhe dar o carácter de um romance e adoreir. Este é mais ficção com amor e uma história de suspense. Oliver Twist e David Copperfield e um conto de Natal nunca li, embora sejam os mais populares.

Pedrita
Sim vários leitores do blogue disseram-me logo no início isso em grupos do facebook, mas eu nunca vi essas adaptações ao cinema.

Bárbara Ferreira disse...

Já este foi o primeiro livro que li do autor, quando tinha 16 anos (aos 22 li o das Duas Cidades - tenho outros na estante, nos quais ainda não peguei). Gosto mesmo muito - a história de amor não correspondido, o drama, as coincidências, tudo neste livro me tocou muito. O outro é mais duro, com a história da revolução francesa, violenta, mas este diz-me muito. A história da Miss Havisham, tão trágica!

Carlos Faria disse...

Normal haver preferências distintas Bárbara, infelizmente a dureza do outro foi uma denúncia de Dickens do que foi a realidade da primeira ditadura opressora de Robespierre em nome dos ideais libertadores da revolução.

Bárbara Ferreira disse...

Claro, preferências são assim mesmo :) e sim, sem dúvida que é um relato muito importante do que foram aqueles tempos. Livro importantíssimo!