domingo, 16 de julho de 2017

"Leaven of Malice" da Trilogia de Salterton de Robertson Davies


O segundo livro da Trilogia de Salterton, situa-se na mesma cidade universitária de Salterton, imaginada por Robertson Davies, que se deduz situar-se no sudoeste de Ontário, "Leaven of Malice", decorre cerca de dois anos após a trama do primeiro romance desta série que falei aqui, repetindo algumas das personagens, introduzindo outras novas e é despoletado por um acontecimento completamente diferente: um anúncio falso de noivado e próximo casamento entre dois jovens filhos de famílias com passados litigiosos, onde a rivalidade se manteve e até cresceu, mas de forma uma discreta e oculta à sociedade, publicado num jornal da cidade.
O falso anúncio não só abrirá uma ameaça judicial ao diretor do"Evening Bellman", como levará com grande humor e ironia ao desencadear de atitudes de investigação amadora, desajeitada e desastrada sobre quem terá estado na origem da notícia que porão a nu não só os ódios, as invejas, os ciumes e as paixões, mas também as incertezas e as ambições pessoais inerentes ao despertar da vida juvenil para adulta familiar e profissional e ainda o mundo em torno de um jornal local, a sua redação e papel social, tudo isto irá desembocar num final onde tudo se explica e fará que relações impossíveis se tornam viáveis.

Robertson Davies é de facto um genial analista e relator da realidade social explora todos os tipos de virtudes e defeitos individuais das mais variadas personalidades que compõem uma sociedade fechada e conservadora e este livro que ganhou o prémio literário canadiano de humor Leacock em 1954 é um excelente exemplo do que seria a vida no Canada, numa cidade média e académica ainda fortemente influenciada pelos costumes e subserviências típicas da Inglaterra vitoriana num grupo de pessoas que se sente defensor dessa sociedade e sua religião oficial. Um romance brilhante satírico  não acessível a quem apenas lê em Português.




2 comentários:

Pedrita disse...

cada vez mais interessada nas obras desse autor. beijos, pedrita

Carlos Faria disse...

Penso que também foi pouco traduzido no Brasil, mas é um dos melhores exemplos de literatura elegante com uma escrita em inglês clássico e fácil que conheço no domínio anglo-saxónico.