sábado, 4 de fevereiro de 2017

"Pais e Filhos" de Ivan Turguéniev


O excelente romance"Pais e Filhos" do russo Ivan Turguéniev, escrito em meados do século XIX, além de ser um dos clássicos mais importantes da literatura deste país, é uma obra marcante na literatura mundial, pois é ele que define e cria o termo "niilismo" como forma de pensar e de ser de uma personagem que questiona e rejeita, à priori, qualquer autoridade, instituição ou  costume de modo a querer revolucionar a sociedade, tema que posteriormente será desenvolvido por Dostoievski e outros importantes escritores, com todas as suas forças e fraquezas, benefícios e perigos e ainda alvo de linhas filosóficas, nomeadamente Nietzche, aspetos que moldaram profundamente a literatura global no último século e meio.
Escrito de uma forma fácil, mas elegante, e com pormenores descritivos subtis, que não só embelezam o texto como também caracterizam situações e sentimentos; a história é essencialmente marcada pelo conflito das formas de pensar em duas gerações: a dos filhos no final da juventude, então com todo o vigor, espírito de contestação e vontade de mudar o mundo, insatisfeitos com a dos pais, onde estes com as lições da vida se tornaram já conservadores, acomodados e inseguros perante os seus descendentes, para quem vivem e a quem admiram, sem saber como gerir este desacordo geracional.
Centrado sobretudo em duas famílias diferentes mas de pais recatados e filhos de espírito revolucionários ou influenciados por estes ideais, junto com algumas personagens, incluindo femininas fortes que vão criar o choque não só entre as ideias geracionais como também com a natureza biológica da vida e dos sentimentos. A história coloca a nu o conflito geracional de séculos e as suas limitações da própria natureza e realidade que leva a que ora uns saiam vencidos pela crueza do acaso, embora com um futuro promissor e vítimas de aspetos menores do destino e outros se arrumem perante a força do mundo, tornando-se em pessoas com carreiras consideradas modelos para o comum dos mortais na sociedade em que se inserem.
Um livro não muito grande, fácil e muito rico não só em mensagens, como influente filosoficamente que marcou o futuro da literatura. Gostei muito e recomendo.

5 comentários:

Pedrita disse...

nossa, agora que vi que li em 2008. um livro que fala de conflitos, mas os revolucionários gostavam de luxo. muito conflitante. comentei aqui http://mataharie007.blogspot.com.br/2008/12/pais-e-filhos.html

Carlos Faria disse...

Mais do que gostar de luxo, comportavam-se habituados ao luxo, era um comportamento inconsciente semelhante ao que por cá por vezes se chama esquerda caviar, por falarem de um modo mas sem terem renunciado os prazeres da classe que criticam.

ematejoca disse...

E diria mesmo, que é um clássico da literatura mundial.

Marta disse...

Um livro belíssimo, também gostei muito de "Cadernos de um caçador" (contos).

Carlos Faria disse...

Ematejoca
Concordo que se pode classificar clássico da literatura mundial

Marta
Pois este foi ainda o primeiro livro deste escritor, espero ter oportunidade para outros dele