sábado, 31 de dezembro de 2016

"Mystic River" de Dennis Lehane



Acabei de ler "Mystic River" a minha estreia em Dennis Lehane, um escritor atual dos Estados Unidos, que trabalhou com crianças com problemas psicológicos e depois se dedicou à escrita com obras de ficção do género thriller e policial, onde se encaixa este romance.
Três crianças de 11 anos brincam na rua quando uma delas é raptada por um carro, vítima de abusos e consegue fugir. Mais de 20 anos depois, já homens quando cada um segue a sua vida e a amizade do passado esfriou, ocorre o assassínio da filha de um deles, o que os leva a uma aproximação, sendo agora um investigador policial, outro suspeito e o restante vítima da situação, decorre então o trabalho de pesquisa num bairro pobre, com problemas de violência, degradação social e sem perspetivas de futuros para os mais desfavorecidos, enquanto a área vai sendo cercada por yuppies em ascensão económica.
Neste policial somos questionados sobre os traumas da infância, a desagregação social e familiar, as dificuldades de reabilitação de quem convive com o crime e vive no meio deste, bem como reflexões de quem investiga para garantir a segurança e retirar os criminosos da sociedade, num trama onde amizade, desconfiança e obrigações profissionais se cruzam.
Contudo este romance, já adaptado ao cinema, é muito mais que uma simples estória de entretenimento, pois, além de ter uma escrita literária de qualidade, tipicamente norte-americana, junta uma análise psicológica e social profunda de um meio urbano e grupo problemático, criando personagens complexas que elevam esta obra ao nível de outros géneros literários considerados alvos de maior respeito no mundo da literatura e da cultura que um simples thriller para explorar emoções e medos. Gostei e recomendo.

9 comentários:

Pedrita disse...

não conhecia. beijos, pedrita

Carlos Faria disse...

Pois tem-me sido recomendado por vários amigos como um exemplo de um escritor que escreve policiais como obras literárias de qualidade e não apenas thrillers de encher e vender ao desbarato. Gostei de facto

ematejoca disse...

Um dos filmes da minha vida. EXCELENTE!

Desejo-lhe um fabuloso 2017, Carlos.

Denise disse...

Gostei muito da resenha e foi um filme que já vi muitas vezes :)
Ficou a vontade, agora, de ler o livro. Tenho a certeza que ganharei muito mais.

Beijinhos Carlos e um ÓTIMO ANO NOVO :)

Carlos Faria disse...

Igualmente bom ano para todos os que por aqui passam e ainda comentam Ematejoca e Denise.

Já ouvi elogios também ao filme mas de facto os últimos anos tenho ido pouco ao cinema, o livro é muito bom e penso que muitas das reflexões da obra não devem ter passado para o filme.

DIARIOS IONAH disse...

eu vi o filme. muito bom!

Pedrita disse...

fiquei interessada no livro. carlos, a base da banda é como a sua banda, só instrumentos de sopro. às vezes, pelo repertório, convidam músicos de madeiras.

olhodopombo disse...

Me parece que os novos autores escrevem como se a intenção fosse que seu livro vire um roteiro para filmar!

Carlos Faria disse...

Por isso não sei como passaram a filme tanta reflexão, suspeito que arrancaram a parte do enredo à análise que o acompanha