terça-feira, 1 de novembro de 2016

"Não-Humano" de Osamu Dazai


"Não-humano" do japonês Osamu Dazai é um pequeno romance, sob a forma de cadernos de memórias, onde o protagonista conta a sua vida desde criança e a sua repulsa pelos outros por se sentir diferente, um ser não-humano, não compreendendo as pessoas com repulsa pela vida comum dos outros concidadãos.
Escrito pouco depois da II Grande Guerra, momento difícil em que os nipónicos perderam o orgulho no confronto, a obra reflete a insegurança e o receio pela sociedade em que a pessoa está inserida, neste caso o protagonista elabora uma estratégia de fuga: primeiro através de um comportamento de humor divertido que disfarça a angústia, para na juventude enveredar também pelo álcool e a exploração das mulheres que se apaixonam por ele em virtude da sua beleza e aspeto desprotegido. Logicamente tal comportamento atrai não só dificuldades financeiras, como amizades dúbias, rejeição e leva ao ostracismo e à degradação do indivíduo, que sobrevive por existir quem lhe estenda a mão, nem sempre com as melhores intenções, mas igualmente acompanhado pelo mau agradecimento a quem se esforça com uma boa ajuda humana.
A texto está magnificamente escrito e foi a última obra do autor que pouco depois se suicidou, um tipo de solução que o protagonista também procura por vezes no romance que, pontualmente, recordou-me "Cadernos do Subterrâneo" de Dostoiévski, embora o atual livro seja bem menos negro, talvez porque o narrador não procura o mal como livre escolha, mas sim é vítima de si mesmo por não compreender o mundo e, como tal, está mais aberto ao relacionamento humano que gostaria de entender, tornando-se até pouco sombrio numa caminhada de solidão e degradação pessoal. Gostei do livro, lê-se muito bem e é uma pequena grande obra de literatura.

6 comentários:

Pedrita disse...

fiquei curiosa. a fatima que em ingressado mais assiduamente no universo da literatura japonesa. beijos, pedrita

Carlos Faria disse...

Segundo soube é uma das obras mais importantes do pós guerra no Japão.

Marta disse...

Li-o há uns anos e gostei muito. Uma pena que seja a sua única obra editada em Português.

Carlos Faria disse...

Não sabia que era a única editada de Dazai presentemente em Portugal, mas que me despertou interesse e conhecer melhor a sua obra, lá isso este livro despertou

DIARIOS IONAH disse...

Eita! não conheço, mas eu quero ler! vou procurar.
te respondi no meu blog abrkdbra-coisasdavida.
Obrigada pela sugestão!

Carlos Faria disse...

Penso que vai gostar de facto.