segunda-feira, 11 de maio de 2015

"A condição humana" de André Malraux



"A Condição Humana" de André Malraux  foi um dos livros que mais dificuldade tive de ler nos últimos tempos, apesar de ter gostado da obra, bem como dos temas tratados.
O autor, através de reflexões colocadas pelas personagens no seio de uma guerra civil histórica, mostra a ação de diferentes tipos de lutadores comunistas em Xangai, que interagem com gestores de interesses económicos franceses e oportunistas que negoceiam a sua sobrevivência financeira no ambiente instável da implantação da república da década de 1920 na China e a sua tentativa de emancipação das potências ocidentais.
Surge assim uma série de quadros que decorrem ao longo de horas ou distanciados de dias, que se completam como num puzzle e no fim dão uma imagem multifacetada dos dilemas que se coloca ao idealista que luta (neste caso, literalmente) pelas suas ideias, põe em risco a sua vida e depois se sente traído face a um conjunto de interesses políticos e económicos da teia nacional e internacional. No meio da solidão a que o guerrilheiro se sente votado, no desespero e dúvida, para alcançar um fim, verifica, tal como Lampedusa escrevera, que foi carne para o canhão da mudança para tudo ficar na mesma. Uma fatalidade? Isto, para um idealista desiludido como eu, é um osso duro de roer.
Não li na língua original, mas numa tradução de Jorge de Sena, o que me leva a perguntar como será mesmo a escrita de Malraux: nesta versão há uma densidade de reflexões reunidas por uma floresta de vírgulas, ponto e vírgulas, dois pontos e parêntesis que muitas vezes me fizeram perder no emaranhado deste arvoredo de pontuação e de ideias. A maior dificuldade que senti foi mesmo adaptação ao forma do texto. Na verdade foram raras as páginas que não tive de voltar atrás para saber quem pensava o quê e o que pensava mesmo, mesmo assim, nem sempre fiquei convencido que estava a seguir o trilho certo. Apesar disto. Gostei da obra, das reflexões, do encontro de culturas e dos choque entre ideologia e a realidade.

3 comentários:

Pedrita disse...

nossa, eu começo com exatamente essa frase no meu post. o qt foi difícil ler esse livro. ótimo texto. aqui está o meu http://mataharie007.blogspot.com.br/2007/12/condio-humana.html li em 2007. beijos, pedrita

Carlos Faria disse...

Pois, e como a Pedrita apresentou excertos da obra no seu post e noutra tradução, deu para ver a floresta de pontuação nas frases.
Malraux viveu no oriente, foi de esquerda, combateu pelos republicanos em Espanha e foi um dos ministros de maior duração de De Gaulle em França, nomeadamente com a educação e cultura, o que mostra a bagagem cultural do homem.
Esta é uma obra muito introspetiva sobre a questão da luta pelo ideal e de como a sociedade frusta o cidadão e lhe dá aparentemente a droga que ele procura para se sentir contentado com uma situação para depois ser explorado por quem parece ser o salvador. Duro, mas talvez realista.

Pedrita disse...

é realmente um olhar diferente. não li fome.