terça-feira, 19 de março de 2013

A PRISIONEIRA - Marcel Proust


Sobre quantas formas pode o ciúme renascer numa alma apaixonada? Não consegui contar, mas sei que são mais que as variações de Goldberg.
A Prisioneira é sem dúvida um exaustivo ensaio sobre o ciúme, um sentimento obsessivo que como uma Fénix está sempre pronto a renascer das suas cinzas, das causas da sua morte e capaz de tecer teias que aprisionam o ser amado, ou melhor, o ser desejado. Contudo, o retrato da época e as análises sobre a literatura, a pintura e a música regressam neste livro com uma mestria invejável e profunda sempre  que a estória se abre à sociedade.
Por vezes claustrofóbico, outras ridículo, irónico, chega a ser doentio e cansativo pela fertilidade de argumentos que fazem brotar o ciúme e se muitas vezes compreendo a argumentação de Proust, discordo do narrador - Proust? - da necessidade da dor do ciúme para alimentar e manter viva uma paixão ou um amor.
Uma obsessão que cedo aponta para o final do volume e só lá não chega depressa, devido às intermináveis e prolixas variações do tema. Um livro que apesar de estar em continuidade do conjunto, poderia ser lido isolado e onde se nota o facto da morte de Proust ter impedido a revisão do texto, permitindo algumas incoerências narrativas que não diminuem a importância da obra.

1 comentário:

Pedrita disse...

realmente prisioneiros de sentimentos não nobres. ou sentimentos de manipulação q podem ser bons depois. é incrível como ele nos despe em nossos sentimentos mais vulgares. beijos, pedrita