quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O lado de Guermantes - Marcel Proust


Se no primeiro volume o narrador de forma prolixa expõe as suas recordações de infância; os receios, ansiedades e solidões inerentes a esta idade; bem como a fértil imaginação do que seria a vida dos adultos em sociedade e do mundo que o rodeia e ainda a mística do amor de estrato desigual de Swan.
Se no segundo o narrador mostra a descoberta da juventude; as tentativas de entrar no mundo adulto, ainda sob o manto da imaturidade misturada com a inocência a chocar com as revoluções que se dão no corpo e na mente devido à química que o amor impõe na juventude e mostra as sequelas sociais de um amor entre desiguais.
O terceiro volume é a descoberta da desilusão do mundo dos adultos associado aos grandes nomes, a "socialite" de então que vivia para a imagem pública, muitas vezes à sombra de grandes nomes de família quando a aristocracia nem dominava a política, a economia ou qualquer outra realidade. Um estrato oco muito bem decorado: muitas vezes pretensamente culto, mas ignorante; convencido de saber o valor das coisas, mas agarrado a conceitos ultrapassado; cheio de educação e de requinte, mas intriguista, invejoso e venenoso; luxuosamente exibicionista, mas falido que se passeia pelos palácios de Paris onde a "nata" Europeia se cruza e é toda igual.
Por vezes pode cansar a forma prolixa de retratar os podres das pessoas de uma sociedade, mas sem dúvida um retrato profundo de uma época que talvez não seja muito diferente da atual... agora estou a mergulhar num mundo de amores que além de desiguais são diferentes.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Dentro do Segredo - José Luís Peixoto




Acabei de ler a crónica de viagens "Dentro do Segredo" de José Luís Peixoto (JLP).
Efetivamente há viagens que não são a um sítio que habitualmente gostaríamos de ir por prazer, mas por que deveríamos conhecer.
As ideias políticas de JLP são públicas e no seu livro deixa claro a sua opção pelos regimes democráticos, mas o escritor teve dificuldades em definir o modelo politico da Coreia do Norte e optou por defini-lo pela negativa:
"Quem diz que a Coreia do Norte é a ditadura comunista mais severa do mundo está errado. Quem diz que é o último reduto do estalinismo está errado. A Coreia do Norte é uma ditadura severa, provavelmente a mais severa do mundo, mas não é comunista. A Coreia do Norte é o último reduto de alguma coisa, muito provavelmente também é o primeiro e único reduto dessa mesma coisa, mas não é estalinista."
O livro é de leitura fácil, a viagem ocorreu aquando do centenário de Kim Il-Sung, o que permitiu a este grupo percorrer quase todo o País, mas vai destilando um sentimento triste e desperta uma compaixão por aquela gente que desconhece o que é o resto do mundo, faz sentir aquela pena de um povo que é inconscientemente desgraçado e é convencido do contrário.
À saída da Coreia do Norte JLP conclui "Naquele momento, a China era o símbolo da liberdade." vale a pena ler o livro para compreender isto.