Excerto
"Todos os humanos desejam magoar o próximo para lhes arrancar a posse de alimentos, recursos e terra. Projetamos as nossas verdadeiras ideias nos nossos inimigos, tememo-los e atacamo-los. E, ao usarmos de violência contra os outros, a nação e a religião tornam-se os sistemas de suporte que perdoam as nossas ações. Os nossos feitos maldosos passam a ser defensáveis, porque consideramos estranhas as pessoas fora desse enquadramento. O inimigo."
Acabei de ler um romance de suspense do japonês Kazuaki Takano "Extinção" que requisitei na Biblioteca Pública da Horta e laureado com vários prémios de ficção criminal e mistério.
Um mercenário, com um filho a morrer de uma doença genética, deixa-se contratar para conseguir dinheiro para um especialista da doença em Lisboa o salvar, junto com ele, mais 3 outros mercenários, missão: eliminar um grupo nómada na floresta do Congo que dizem estar contaminado por um vírus letal para a humanidade; enquanto isto, vários investigadores no Japão estão empenhados na descoberta da substância que cura o defeito do gene, só que o núcleo do Presidente dos Estados Unidos supervisiona e manipula estas situações para esconder desumanidades e eliminar uma ameaça aos seus interesses pessoais e nacionais.
Apesar de a história ser um ficção e ter uma componente de especulação científica com o aparecimento de seres sobredotados de inteligência, o romance parece ser uma denúncia da presidência de George W Bush, embora com um heterónimo, pelo que aquilo que me parecia ser apenas uma obra de suspense para ler no verão, tornou-se num texto de ação vertiginosa, com momentos de exposição da grande violência que existe no centro de África e reflexões sobre o egoísmo na espécie humana, a tendência para a guerra e com um grande enfoque no abuso do poder dos Estados Unidos contra vários povos sem qualquer escrúpulo e no desrespeito total das pessoas.
A narrativa é muito cinematográfica e, apesar de toda a crítica e reflexão sobre a violência na espécie, cativa o leitor e gostei e entusiasmei-me muito, mas, ao contrário dos filmes de Hollywood, neste romance os Estados Unidos e o seu poder são mesmo maus na fita, agentes manipuladores, extremamente cruéis e hipócritas na civilização global, mas também a espécie humana é alvo de grande suspeita na sua bondade... a obra é anterior aos mandatos de Trump.

3 comentários:
fiquei curiosa, é um gênero q vejo mais filmes, e tenho tentado desvendar esses temas em livros. beijos, pedrita
Ultimamente vejo muito pouco cinema e tv, mas o que achei mais interessante no livro foi o facto de além de entretenimento também estar cheio de reflexões sobre as virtudes e defeitos da humanidade e do poder político
eu acho tv muito cômodo, sempre a mão. tenho vários streamings de ponta em um pacote da operadora que me atende, aproveito muito. sim, livros podem se aprofundar mais em reflexões. mais curiosa ainda. tb falei de livro no meu blog.
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