11 de Novembro é o dia do armistício da I Grande Guerra. No Canada, à semelhança de muitos dos países da Europa, este é o dia para lembrar aqueles que caíram a defender os interesses da sua pátria, a muitos deles conseguimos os direitos, garantias e liberdades que hoje gozamos no Canada e nos países do velho continente.
O médico e poeta canadiano John McCrae na batalha da Flandres em Maio de 1915 viu morrer e assistiu ao funeral de um dos seus amigos compatriota, quando os campos estavam então cobertos de papoilas e escreveu o poema que se tornou, conjuntamente com a flor, num dos principais símbolos do Dia da Memória em todo o mundo Anglo-saxónico.
In Flanders fields the poppies blow Between the crosses, row on row, That mark our place; and in the sky The larks, still bravely singing, fly Scarce heard amid the guns below.
We are the Dead. Short days ago We lived, felt dawn, saw sunset glow, Loved and were loved, and now we lie, In Flanders fields.
Take up our quarrel with the foe: To you from failing hands we throw The torch; be yours to hold it high. If ye break faith with us who die We shall not sleep, though poppies grow In Flanders fields.
John McCrae não sobreviveu para ver a força das suas palavras, foi um dos médicos infectados por pneumonia naquela guerra no seu hospital de campanha e também recordado neste dia...
O vale da ribeira Despe-te-que-suas é um dos vales mais abruptamente escavados pelas águas no concelho de Nordeste na ilha de São Miguel, mas o nome do curso de água é também um dos nomes toponímicos mais originais e descritivos que conheço em Portugal.
O nome transmite a sensação de calor associada ao cansaço de quem se aventura a subir do litoral ao longo da ribeira para chegar às zonas mais interiores.
Além da força do vale, o verde da densa vegetação luxuriante faz lembrar uma floresta tropical, aqui mostrada de um ângulo menos comum que o habitual.
Terminou a 6.ª Edição do Faial Filmes Fest, com a homenagem ao Cineasta Realizador com 101 anos de idade Manoel de Oliveira, o qual dirigiu uma mensagem ao Festival e foi apresentada o seu documentário/curta-metragem sobre os "Painéis de São Vicente de Fora"..
Um período de pequena duração mas de grande significado neste festival.
A cerimónia de encerramento foram conhecidos todos os prémios associados a esta edição do FFF2010, que apresentou cinquenta e oito filmes seleccionados para a final, ficando aqui apenas alguns dos galardões mais importantes:
Melhor curta-metragem - "Canção de Amor e Saúde" de João Nicolau
Prémio do Público - "Pickpocket" de João Figueiras
Melhor curta do Faial - "Passando à de Zé Marôvas" de Aurora Ribeiro
Prémio do Público das curtas do Faial - "Passando à de Zé Marôvas" de Aurora Ribeiro
Melhor Ficção - "Pickpocket" de João Figueiras
Melhor Documentário - "Crime abismo azul remorso físico" de Edgar Pêra.
Luís Pereira do Cineclube da Horta e Ricardo António da Prefeitura de Atibaia
Várias das películas do Faial Filmes Fest 2009 foram exibidas no festival da cidade de Estância Atibaia, São Paulo, Brasil: FAIA (Festival de Atibaia Internacional do Audiovisual), no início do corrente ano. Nasceu então um protocolo entre o Cineclube da Horta e a Associação de Difusão Cultural de Atibaia.
Agora, o intercâmbio dá os seus primeiros frutos do lado do Faial, com a vinda de um representante da prefeitura de Estância Atibaia à cidade da Horta e a exibição de uma sessão com uma mostra de curtas-metragens brasileiras, às 16 horas deste Sábado.
Uma novidade que mostra a cada vez maior internacionalização do Faial Filmes Fest. Aproveite!
O Faial Filmes Fest desde ontem que se mudou para a sua casa habitual, o Teatro Faialense, e no molde adoptado para corrente ano terá apenas sessões competitivas ao longo de toda a semana, sem separação dos filmes concorrentes ao nível local dos provenientes do exterior.
Assim as curtas-metragens realizadas pelos faialenses vão surgindo ao longo dos vários dias e em pé de igualdade com as provenientes das outras partes do mundo, tendo já sido exibidas obras da Europa, América, África e Ásia.
Um bom motivo para todas as noites se deslocar ao este evento cultural da nossa ilha. Aproveite.
Após a abertura do FFF2010 pelo Presidente do Cineclube da Horta, o festival iniciou-se com uma curta-metragem científica, imagens da cobertura cinematográfica a uma expedição científica às fontes hidrotermais submarinas Menez Gwen e Bubbylon situadas perto do Faial e a cerca de 800 m de profundidade, ocorrida no final do último Verão e com explicação ao vivo dos aspectos da fauna mostrada. Pela qualidade da fotografia e divulgação do ecossistema junto a estas manifestações vulcânicas, o festival abriu com chave de ouro.
Realizador Edgar Pêra e o Presidente do Cineclube da Horta
Seguiu-se a ante-estreia de um filme de autor "Punk is not daddy" de Edgar Pêra. Uma mostra de filmagens da revolução musical dos anos 80 em Portugal, com alguns dos grupos mais conhecidos de então, penetrando em bastidores, concertos no Rendez-vous e de propaganda política e no espírito revolucionário e de contra-cultura de então. Um retrato muito forte e verdadeiro da época que toca fundo à geração dos anos 80 a que pertenço.
Arranca hoje a 6.ª edição do Faial Filmes Fest - FFF2010, o maior festival de curta-metragens da lusofonia realizado nos Açores, uma organização do Cineclube da Horta que já conta com a atenção de numerosos órgãos de comunicação locais, regionais e nacionais.
Este ano o Festival exibe obras de todo o território de Portugal (com o destaque para o Faial), do Brasil, de Cabo Verde e Angola.
Como já vem sendo habitual, há sempre uma homenagem a um realizador nacional pelo importância da sua obra cinematográfica, este ano a Faial Filmes Fest presta o seu tributo ao cineasta em actividade mais idoso do planeta Manoel Oliveira, com uma vasta obra reconhecida mundialmente e muitas vezes premiada noutros festivais Europeus.
8 dias de FFF cuja programação pode consultar aqui e, se está no Faial, não deixe de assistir às sessões, pois tão importante como o concurso, os prémios e a homenagem, é a envolvência dos Faialenses e o seu apoio a este evento que leva o nome da nossa ilha a todo o País e além fronteiras.
Farol do Arnel - São Miguel. Foto de Carlos Campos
Entre as várias fotos que já recebi para possível publicação neste blog, esta é uma das mais me toca, por mostrar este farol de um ângulo que parece perdido sobre o mar, como que uma prova da solidão destes homens que a partir de terra tinham a função de guiar os homens do mar.
A memória da minha infância tem um espaço reservado para o farol da Ribeirinha: os cheiros dos seus motores, a rotatividade dos faroleiros e famílias com as crianças que iam e vinham todos todos, a companhia do feixe luminoso nocturno e a imponência do imóvel na paisagem, por isso, sempre que vejo um farol, fica-me cá dentro uma nostalgia e um vazio difícil de preencher...
Provavelmente, a maioria das pessoas ao olhar para esta foto é atraída pela imponente fachada da igreja do Carmo, todavia o que me justificou inicialmente o enquadramento foram os dois exemplares de araucárias.
A Horta, durante muitos anos, era famosa pelo grande número de araucárias de grande porte dispersas pela cidade, várias integram a lista do património classificado dos Açores, mas diversas árvores deste género foram destruídas por temporais, cortadas por razões de segurança ou urbanísticas.
Praticamente todas as araucárias do Faial são da mesma espécie: Araucaria heterophylla, em forma de cone como a mais à esquerda na imagem, que é endémica da ilha de Norfolk, situada a Este da Austrália, onde esta árvore faz mesmo parte dos seus símbolos heráldicos.
Todavia, há um exemplar diferente de todos os restantes plantados no Faial e está quase no centro da imagem: Araucaria columnaris (o nome diz tudo), endémico da Nova Caledónia. Pela sua exclusividade mereceu um post neste blogue.
Alerto para não se trazerem plantas do exterior para os Açores antes de se confirmar se saudáveis ou que não colocam em risco a flora natural do Arquipélago. Felizmente, apesar da beleza das auracárias, estas espécies não são invasoras e por isso não oferecem risco ao ambiente natural das nossas ilhas.
Quem olhar para as fotos deste post, verá que a primeira e terceira correspondem a uma praia litoral de calhau, enquanto a segunda e quarta, obtidas no mesmo local, já existe uma grande quantidade de areia.
Tal situação ficou a dever-se ao facto de nas proximidades, em meados do Verão, ter ocorrido um volumoso desabamento de arriba costeira. Depois, já no início do Outono e por erosão marinha, este transformou-se numa importante fonte de areia para o litoral nas imediações. Esta situação permite explicar alguns fenómenos associados à dinâmica costeira, nomeadamente:
A principal fonte de areia marinha não é o próprio oceano, mas sim a terra emersa. Sobretudo, a erosão que o mar faz sobre a linha de costa e o material transportado (carga sólida) pelos cursos de água (rios ou ribeiras) nas ilhas e nos continentes.
Nem sempre a deposição de areia ocorre nos períodos de mar calmo. Neste caso, foram as maresias que permitiram galgar o escorregamento, retirar maiores volumes de grãos de rocha da dimensão das areias, transportá-los pela agitação das ondas e correntes e depositá-los em locais costeiros mais elevados, relativamente protegidos das zonas de maior hidrodinamismo costeiro
Por último, embora a maioria das pessoas associem o termo "praia" aos depósitos costeiros de areia. As acumulações no litoral de materiais mais grosseiros também se chamam "praias". Assim, existem praias de areia, praias de areão, praias de cascalho, praias de blocos ou calhaus, constituídas por rochas sedimentares desagregadas e provam que nos Açores nem todas as rochas são vulcânicas.
Porque a água doce em condições para o consumo humano é um recurso natural escasso, ameaçado, desigualmente distribuído no planeta e inacessível em boas condições a milhões de pessoas.
Porque apesar da intensa pluviosidade no Arquipélago, os recursos hídricos para consumo humano nos Açores também são altamente vulneráveis à acção irresponsável do Homem.
Porque urge estar consciente do problema para saber agir:
O Blog Geocrusoe adere, neste dia 15 de Outubro, ao Blog Action Day 2010, subordinado ao tema ÁGUA.
Água, um tema sempre pertinente para a reflexão, caso queira, pode ainda assinar a petição de apoio às Nações Unidas no Esforço de Levar Água Limpa e Segura a Milhões de Pessoas, no link da coluna da esquerda deste blog.
O Outono, como estação de transição entre o período de bom e o de mau tempo, é propício à ocorrência de fenómenos de enxurradas e inundações associadas a ribeiras obstruídas, muitas vezes também por falta de limpeza dos restos de abates de árvores nas margens das linhas de água, deposições ilegais e incontroladas de entulhos nos leitos destes cursos e falta de limpeza de condutas e aquedutos.
Um momento de se olhar a realidade à nossa volta, antes que seja tarde e o papel de cada um pode dar um contributo importante para o bem de todos, além de si próprio.
Não são férias, apenas uma viagem de trabalho que me obriga a percorrer vários recantos da maior ilha dos Açores, provavelmente em contra-relógio para poder concluir todas as tarefas.
Espero apenas que também a meteorologia outonal não venha a perturbar o trabalho de campo e as viagens dos aviões interilhas.
Sempre me encantou azulejaria de exterior em edifícios, uma arte e forma de acabamento tipicamente portuguesa.
Certo que em tempos não muito recuados o gosto popular por esta forma de arte lusitana, manifestado incorrectamente pelo uso de azulejos não destinados a fachadas, em vez de ser bem orientado por fazedores de opinião pública, artistas plásticos, indústrias de cerâmica e construção civil, que poderiam ter aproveitado esta atracção para adaptar a tradição à contemporaneidade, foi simplesmente rejeitado.
Numa terra onde a humidade atmosférica é tropical, onde a chuva e o vento insistem em danificar rapidamente as pinturas das moradias, as casas antigas com azulejos tradicionais há décadas que mantêm o seu aspecto fresco, requintado e com pequeníssimos custos de conservação.
Meu país desgraçado!... E no entanto há Sol a cada canto e não há Mar tão lindo noutro lado. Nem há Céu mais alegre do que o nosso, nem pássaros, nem águas ...
Meu país desgraçado!... Por que fatal engano? Que malévolos crimes teus direitos de berço violaram?
Meu Povo de cabeça pendida, mãos caídas, de olhos sem fé — busca, dentro de ti, fora de ti, aonde a causa da miséria se te esconde.
E em nome dos direitos que te deram a terra, o Sol, o Mar, fere-a sem dó com o lume do teu antigo olhar.
Alevanta-te, Povo! Ah!, visses tu, nos olhos das mulheres, a calada censura que te reclama filhos mais robustos!
Povo anêmico e triste, meu Pedro Sem sem forças, sem haveres! — olha a censura muda das mulheres! Vai-te de novo ao Mar! Reganha tuas barcas, tuas forças e o direito de amar e fecundar as que só por Amor te não desprezam!
Música... desde que nasci a música faz parte da minha vida: cresci a ver ensinar música, em casa aprendi música, saía para tocar música e penso que hoje não sei viver sem música. Erudita, folclórica, nacional, ligeira e inclusive heavy metal, a diversidade é grande, o gosto cultiva-se, mas não tem de se ser eclético.
Hoje vários estilos dos meus gostos, alguns surpreendentes, em homenagem a um reino que me faz amar a vida: o da Música.
Erudita
Canção da Terra - O Adeus, de Mahler, é talvez o lied que ouço mais vezes e uma das obras que mais gosto, aqui com a magnifica voz de Jessye Norman acompanhada pelas pinturas do grande vienense Klimt, tendo em conta a cidade onde o compositor viveu grande parte da sua vida...
Canção Nacional
Barco Negro, sempre me tocou esta canção, aqui na voz daquela que merece ser a rainha da música portuguesa.
Folclore dos Açores
Aqui tocado pela Lira Açoriana, em homenagem a todos os músicos dos Açores e, com uma pontinha de bairrismo, os das filarmónicas do Faial, os quais acompanho há longos anos a sua evolução e persistência e para quem todos os elogios são poucos pelo muito que fazem.
Heavy Metal
Pelo que tenho visto, não são raros os wagnerianos que tem esta costela gótica, o que muitas vezes surpreende aqueles que pensam que os melómanos são incapazes de ouvir música tão distante da Canção da Terra, os Iron Maiden há muito que se cruzaram comigo e tem-me feito companhia em muitos momentos...