No post de 9 de Março último "Erupções surtsianas pré-povoamento dos Açores" listei quase todos os edifícios vulcânicos açorianos deste tipo existentes nas várias ilhas do arquipélago e formados antes dos lusitanos para cá virem habitar, tendo então referido que tinha conhecimento de que o Morro das Capelas pertencia a este conjunto, mas que não tinha qualquer foto do mesmo.
O bloguer Cláudio Almeida imediatamente se disponibilizou a recolher algumas imagens da referida estrutura, as quais foram-me enviadas esta semana e confirmam que se está perante um edifício vulcânico formado a partir de uma erupção submarina do tipo surtsiano.
Assim, embora na forma do morro já não seja muito evidente o aspecto de cone vulcânico, ao olhar-se em pormenor as rochas que o formam, logo se verifica que a sua estrutura finamente estratificada e a cor típica da cinza vulcânica de uma erupção submarina, devido à formação de um mineral chamado palagonite é característica de uma erupção submarina surtsiana.
Estratificação e cor comum deste tipo de tufo nos Açores, por vezes designado por hialopiroclastito (Foto: Cláudio Almeida)Igualmente esta estratificação cruzada em várias direcções e alinhamentos que os interceptam são visíveis nas fotografias do Costado da Nau no Faial e do Morro Grande em São Jorge e cujos grãos já se cimentaram devido ao longo do tempo em que estas rochas de formaram.
Assim, embora pareça muito diferente, o morro das Capelas teve uma origem semelhante à do vulcão dos Capelinhos com um estilo eruptivo muito bem ilustrado no vídeo da erupção submarina de Toba.
Ao Cláudio Almeida fica aqui o meu obrigado pela colaboração prestada ao blog Geocrusoe. Este continua aberto a outras colaborações, que entretanto já comecei a receber e tenham cabimento com o estilo deste espaço da blogosfera açoriana: ciências da terra, cultura e divulgação das nossas ilhas.





















