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quinta-feira, 16 de junho de 2016

Férias: Pozzuoli a cidade no vulcão que sobe e desce Campi Flegrei




Hoje é o dia de visita a Pozzuoli, uma antiga cidade à beira-mar, anterior ao Império Romano a oeste de Nápoles, com muitos património da antiguidade, que se situa dentro de uma caldeira costeira, parcialmente submarina de um grande vulcão: Campi Flegrei ou Campos Flegreanos, é mais um dia que junta férias e geologia.
Tal como acontece em muitos edifícios de vulcões ativos, estes tem a particularidade de ao longo do tempo se deformarem, havendo zonas que ora sobem ou descem, cone vulcânico como que "incha" ou "encolhe", inflação ou deflação, em função de movimentos do magma sobem ou descem dentro do edifício. Ora como esta caldeira se situa na costa parte dos edifícios costeiros e o porto ficam expostos a serem ora galgados ora a assistirem ao recuo das águas, transgressão e regressão, assim com o decurso dos anos, as ruínas romanas da foto que foram construídas em terra, já estiveram parcialmente submersas e agora estão emersas e bem acima da água, mas com sinais de erosão marinha, tal como já ocorreram portos que ficaram acima ou submersos pelo mar.
Em torno desta cidade existem ilhas resultantes de cones vulcânicos dentro da caldeira mas dentro do mar, bem como zonas dispersas com fumarolas, a mais conhecida é Solfatara, algo do género do que se observa nas Furnas em São Miguel e onde também se fazem cozidos enterrados no solo.
Pozzuoli é rica em piroclastos vulcânicos com grande percentagem de sílica, composição química que os romanos descobriram servir para produzir uma argamassa útil à construção civil: cimento (concreto no Brasil). Esta matéria-prima tem agora o nome de pozolana devido ao nome desta cidade, e muita da grandeza arquitetónica do Império Romano resulta desta descoberta, sendo o Panteão Romano o exemplo máximo da antiguidade do engenho do homem na construção de um grande monumento com cimento.
O mesmo observatório que acompanha a atividade do Vesúvio também monitoriza o vulcão de Campi Flegrei e sem dúvida esta é uma cidade muito exposta aos riscos vulcânicos e uma erupção deste pode igualmente afetar significativamente Nápoles, embora pelo impacte paisagístico do Vesúvio popularmente poucos de lembram que os Campos Flegreanos constituem um dos complexos vulcânicos mais perigosos da Terra. 

quarta-feira, 18 de junho de 2008

PEDRA-POMES: a espuma traquítica

Como disse, os magmas traquíticos, por serem muito viscosos, são expelidos dos vulcões, frequentemente, de forma explosiva, gerando-se então colunas de material ejectado, por vezes, com várias dezenas de quilómetros de altura: coluna eruptiva.
Estas explosões resultam do facto da viscosidade do magma traquítico impedir a libertação dos gases dissolvidos suavemente. Quando a pressão destes se torna muito elevada consegue romper as rochas que estão por cima e dá-se a intensa libertação do líquido misturado com gases, tal como numa garrafa de champanhe ou de gasosa quando se tira a rolha após a agitação do líquido.

Coluna eruptiva no vulcão Pinatubo (fonte: Wikipédia)

Os fragmentos de magma projectados na coluna eruptiva, piroclastos (grãos de fogo) depois, por gravidade, voltam a cair em torno do vulcão, atingindo distâncias maiores ou menores em função da dimensão dos grãos, da altura alcançada e da força dos ventos no momento. Formam-se espessos depósitos em camada destes piroclastos muito porosos, pouco densos (boiam na água), normalmente de cor clara e designados por Pedra-pomes.

Depósitos de pedra-pomes associados às explosões da Caldeira do Faial

Assim, um magma traquítico que sai de um vulcão tranquilamente forma escoada de lavas traquíticas, como as utilizadas na construção da Matriz da Horta, o mesmo material expelido explosivamente tem o aspecto (textura e estrutura) de uma rocha tão diferente que passa a ser conhecido pelo nome de pedra-pomes.

Pormenor de pedra-pomes no Faial, o círculo claro serve de escala, moeda de 1 euro.

A pedra-pomes, por norma é muito friável e esmagável, devido à sua porosidade, por isso, não era utilizada directamente na construção civil. Todavia devido à sua elevada quantidade de sílica pode tomar o nome comercial de pozolana, ser moída e misturada com calcário no fabrico de cimento. Situação que acontece na produção do cimento açoriano, que importa a componente calcária já tratada do Continente (clinquer) e é misturada com pozolanas das ilhas.

Pedra-pomes coberta de líquenes e musgos devido à humidade, o que lhe altera a cor superficial.

Também devido à baixa densidade da pedra-pomes existem experiências de utilizar esta rocha no fabrico de alguns tipos de tijolos muito leves, que reduzem o risco de danos pessoais em caso de desmoronamento provocado por sismo.