"O tempo morto é um bom lugar" de Manuel Jorge Marmelo, autor que só conhecia de contos publicados em jornais, foi o primeiro romance que li deste escritor/jornalista que se encontra entre os autores atuais com maior projeção pública no meio editorial nacional.
É um romance sobre a atualidade social, cultural e económica de Portugal e aproveita-se da ideia algo corrente quando se olha o País de que é bem mais agradável a vida na prisão do que a luta do cidadão comum para sobreviver.
O livro divide-se em três partes: Na primeira um jornalista, desempregado e preso, narra as razões da prisão: o assassinato de uma celebridade de um "reality show" com quem teve uma relação na sequência de lhe ter sido encomendada a feitura de uma autobiografia, que nunca chegou a escrever, e descobre que o tempo morto na cadeia é bem mais vantajoso que o da liberdade. Na segunda descobre-se o suicídio do jornalista e conhece-se a pretensa vida da celebridade, os problemas que enfrentou desde criança até à mudança de vida e as potencialidades do sonho da fama. A última cobre uma investigação jornalística sobre quem terá morto a jovem e quem terá sido de facto o autor da autobiografia póstuma.
Estas partes têm relatos paralelos e denunciam os problemas que a sociedade portuguesa atravessa: acusações políticas que se subentendem os destinatários, a vacuidade do mundo mediático e as dificuldades do cidadão comum. A escrita não é alheia ao estilo jornalístico, mas é interessante e apesar de se narrarem dificuldades, o tom irónico tira o carácter deprimente às situações, embora a obra só seja conclusiva no aspeto de ser uma forma de se chorar o Portugal do presente. Gostei e, mesmo tendo em conta que é um retrato frio e duro da conjuntura atual, é de leitura fácil.

















