Excertos
"Seria possível a existência de pensamento sem consciência?""-E como é que tu sabes quem és?"
Acabei de ler o romance de 1960 "Solaris" do género de ficção-científica e escrito pelo polaco Stanislaw Lem, que é em simultâneo uma obra de análise filosófica sobre a questão da individualidade, da identidade pessoal, da necessidade de comunicação humana, da inteligência e até da questão de Deus. Um livro considerado de culto neste campo literário, pela sua qualidade e profundidade de análise, complementada com um drama romântico que já deu origem a dois filmes, um em 1972 e outro em 2002.
Kelvin, um psiquiatra, é mandado da Terra à estação sobre o planeta Solaris que orbita em torno de dois sóis, devido a preocupações narradas por um cientista ali estabelecido e antigo professor do médico.
Chegado ao destino, Kelvin é recebido com frieza e medo por um tripulante, sabe da morte do professor e que o outro investigador se está a isolar. Algo de estranho ocorre ali e afeta a mente de todos. Kelvin relê os dados e recolhidos ao longo de décadas e respetivas teorias sobre Solaris. Este é um astro coberto por um extenso oceano rico em matéria orgânica que já foi classificado como um ser vivo e com o qual se tenta infrutiferamente comunicar, embora este até controle características do planeta: será dotado de consciência? Após dormir Kelvin vê-se confrontado pela visita da sua mulher que se suicidara 10 anos antes e em conversa com a restante tripulação percebe que o oceano lhes lê as mentes e as controla, recriando as pessoas que os assombram, mas estas não são iguais aos humanos em termos moleculares, nem são destruíveis pelos terrestres, a situação entra em confronto com a memória e consciência destes que são incapazes de comunicar com o torturador. Kelvin tenta corrigir a sua culpa na morte da ex-mulher perante esta réplica e a tensão entre sentimentos, consciência, identidade, memória, vontade e ciência irá num conflito que coloca em questão princípios da humanidade.
A escrita de Lem é cuidada e algumas das passagens são muito filosóficas e difíceis, havendo outras muito descritivas, embora a história seja alimentada com diálogos fáceis brilhantemente elaborados que põe a nu as questões levantadas. Assim, está-se perante uma obra complexa, densa e não numa mera aventura no espaço típica de muita ficção pseudocientífica comercial.
Raramente após a leitura de um romance vou procurar os filmes na internet, mas neste caso a riqueza dos pormenores no texto levaram-me a tal, embora os filmes sejam bons, seguem o mais fácil, sem aprofundar as descrições dos fenómenos oceanográficos e muita filosofia do livro. Este, apesar de partes difíceis, gostei muito.
Solaris pelo realizador Tarkovski em 1972
Kelvin, um psiquiatra, é mandado da Terra à estação sobre o planeta Solaris que orbita em torno de dois sóis, devido a preocupações narradas por um cientista ali estabelecido e antigo professor do médico.
Chegado ao destino, Kelvin é recebido com frieza e medo por um tripulante, sabe da morte do professor e que o outro investigador se está a isolar. Algo de estranho ocorre ali e afeta a mente de todos. Kelvin relê os dados e recolhidos ao longo de décadas e respetivas teorias sobre Solaris. Este é um astro coberto por um extenso oceano rico em matéria orgânica que já foi classificado como um ser vivo e com o qual se tenta infrutiferamente comunicar, embora este até controle características do planeta: será dotado de consciência? Após dormir Kelvin vê-se confrontado pela visita da sua mulher que se suicidara 10 anos antes e em conversa com a restante tripulação percebe que o oceano lhes lê as mentes e as controla, recriando as pessoas que os assombram, mas estas não são iguais aos humanos em termos moleculares, nem são destruíveis pelos terrestres, a situação entra em confronto com a memória e consciência destes que são incapazes de comunicar com o torturador. Kelvin tenta corrigir a sua culpa na morte da ex-mulher perante esta réplica e a tensão entre sentimentos, consciência, identidade, memória, vontade e ciência irá num conflito que coloca em questão princípios da humanidade.
A escrita de Lem é cuidada e algumas das passagens são muito filosóficas e difíceis, havendo outras muito descritivas, embora a história seja alimentada com diálogos fáceis brilhantemente elaborados que põe a nu as questões levantadas. Assim, está-se perante uma obra complexa, densa e não numa mera aventura no espaço típica de muita ficção pseudocientífica comercial.
Raramente após a leitura de um romance vou procurar os filmes na internet, mas neste caso a riqueza dos pormenores no texto levaram-me a tal, embora os filmes sejam bons, seguem o mais fácil, sem aprofundar as descrições dos fenómenos oceanográficos e muita filosofia do livro. Este, apesar de partes difíceis, gostei muito.
Solaris pelo realizador Tarkovski em 1972



















