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sábado, 30 de maio de 2009

PENTECOSTES: A festa do Povo Açoriano

Neste Domingo em todos os Açores - estendendo-se para Segunda e Terça-Feira no Triângulo Faial, Pico e São Jorge - decorrem as festas em louvor do Espírito Santo, a devoção que une todos os açorianos das noves ilhas e comunidades emigrantes no Continente, Canadá, Estados Unidos, Brasil e quiçá onde mais.

As três coroas das duas irmandades da zona da Ribeirinha e respectivos estandartes à direita

No passado falei duas vezes dos símbolos e depois continuei com as festas, as tradições, os impérios e as lendas ligadas a estas manifestações religiosas tradicionais...
Hoje fica aqui apenas a memória e a ideia de que o Espírito actua onde quer, como quer e quando quer. O Povo Açoriano sempre sentiu que o Divino estava com ele nos seus momentos mais difíceis e mesmo quando alguns não vêem ou não querem, a Fé desta gente vem ao cima e percebe-se a presença e o significado do Espírito Santo no seio desta gente...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

VILAS DO TRIÂNGULO: VELAS

Três ângulos de uma vila única no triângulo...

Vila das Velas, como habitualmente digo, ou vila de Velas, como por norma dizem os jorgenses actuais, o maior aglomerado urbano da ilha de São Jorge...

Uma pequena e encantadora vila açoriana, numa surpreendentemente bela ilha deste arquipélago, que vive de uma forma intensa a realidade do Triângulo constituído pelo Faial, Pico e São Jorge.

Uma terra que me trás recordações das férias da minha infância... a simpatia das pessoas, a doçaria tradicional caseira, o queijo de São Jorge... a pátria do verdadeiro queijo da ilha que muitos procuram imitar.

clique nas fotos para ampliar

segunda-feira, 18 de maio de 2009

AVIFAUNA AÇORIANA, DESAFIO

Recentemente, numa visita ao campo de uma da ilhas açorianas deparei-me com esta ave numa pastagem costeira, calmamente parecia catar no solo alimento e, indiferente a quem passava no caminho contíguo, prosseguia na sua actividade.

Embora com alguma perda de qualidade, clique para aumentar a foto

Por norma conheço as espécies mais típicas da avifauna açoriana, mas esta faz parte do meu desconhecimento destas ilhas.
Alguém identifica?
Aceitam-se tentativas... e falhanços.
No fim tentarei confirmar com quem deve saber!

segunda-feira, 9 de março de 2009

ERUPÇÕES SURTSIANAS pré-povoamento dos Açores

A concluir a série de vulcanismo surtsiano ou surtseiano, segundo a grafia de outros, aqui vai uma listagem de edifícios formados por este tipo de actividade eruptiva (caracterizada por a chaminé ter estado em contacto com a água do mar) e situados em diferentes ilhas dos Açores.

ILHA DO FAIAL
Costado da Nau, formou a antiga linha de costa do extremo ocidental do Faial até aos Capelinhos. Uma erupção irmã mais velha, muito próxima, mas semelhante na génese e na evolução.

Monte da Guia, um cone em ferradura, com uma dupla cratera a demonstrar a existências de duas bocas eruptivas durante a sua actividade, muito próximo de terra e unido a esta por um istmo de areia.

ILHA DO PICO
Ilhéus da Madalena, os restos de uma pequena ilha no canal Faial - Pico, com uma formação semelhante à ilha Sabrina e que já deve ter sido um cone único.

ILHA DE SÃO JORGE
Morro Grande, responsável por parte da área da fajã onde se instalou a vila de Velas, pois os materiais emitidos uniram o novo edifício a terra.

Morro de Lemos, a mesma erupção que construiu o edifício anterior, uma irmã de idade diferente ou uma actividade gémea? Dúvidas que ainda não me sinto devidamente esclarecido.

ILHA TERCEIRA
Monte Brasil, a erupção marinha que se uniu à ilha e criou uma angra abrigada, em torno do qual se instalou a cidade de Angra, hoje honrada com o título do Heroísmo. Foto de Luís Silveira, proveniente daqui


Ilhéu das Cabras, um cone vulcânico fragmentado mas com uma génese igual à da ilha Sabrina e uma duração bem superior...

ILHA DE SÃO MIGUEL
Ilhéu de Vila Franca do Campo, apesar de muito erodido, preserva ainda a sua cratera praticamente fechada ao mar mas inundada de água, como característico da actividade surtsiana.

Rosto de Cão ou Ilhéu de São Roque, os restos de um edifício muito erodido que deve ter sido um morro ligado à ilha e cuja forma fez lembrar a cabeça de um cão, o que ficou registado na toponímia de duas freguesias. Foto gentilmente cedida por Carlos Campos.

Ilhéus dos Mosteiros, os vizinhos da ilha Sabrina mas que sobreviveram por muito mais tempo e que nunca pertenceram à coroa britânica. Foto gentilmente cedida por Carlos Campos.

Embora sem foto, tenho informações que o Morro das Capelas corresponde a um outro edifício que se formou, sobretudo, a partir de uma actividade eruptiva do tipo surtsiano.

Poderão ter existido outras erupções do mesmo tipo ou haver ainda alguns edifícios que eu não conheça ou não tenho a certeza, mas julgo que listei os casos mais importantes.
Podem ver que algumas erupções estiveram sempre separadas da ilha vizinha e outras junto à costa uniram-se a terra, mas todas tiveram um período de actividade eruptiva em que a chaminé se encontrava inundada por água do mar. Mas atenção, também existem ilhéus hoje que não são surtsianos.

terça-feira, 3 de março de 2009

NA ILHA DO ARCANJO EM TRABALHO

A partir de hoje e ao longo desta semana a vida profissional decorre em São Miguel.

O trabalho dever-me-á obrigar a algumas deslocações dentro da ilha do Arcanjo, mas o ponto de partida deverá passar por aqui... com mais ou menos sol e a ver o local onde exactamente comecei a minha vida profissional, há cerca de duas décadas atrás em Ponta Delgada... o tempo corre mesmo rápido!
Sempre que possível, espero aqui continuar a viajar no ciberespaço e a manter o Geocrusoe activo.

sábado, 20 de dezembro de 2008

OUTONO - O Fim-de-estação

Hoje é o último dia completo do Outono, amanhã chega o Inverno.
O solstício ocorre às 11h04 dos Açores, dá-se então a mudança de estação.
Ao contrário da maioria dos países da Europa e da América do Norte, a paisagem açoriana é sempre cheia de verde...
Tanto a floresta natural destas ilhas - conhecida por Laurissilva - como a principais árvores trazidas pelo homem e invasoras do nosso meio natural - o incenso, o araçaleiro, etc. -  são de folha perene, por isso, o verde é também dominante no Inverno.
Paralelamente, os dias de temperaturas amenas, sem chuva e, por vezes, de sol radioso ocorrem também no Inverno, enquanto o Pico continua a nos vigiar lá do alto e as aves a encherem a natureza de canções...
As praias talvez estejam menos convidativas, contudo os trilhos e os caminhos agrícolas persistem em convidar toda a gente para uma caminhada, onde a natureza intacta praticamente já não existe, mas pelo menos o ar puro, a calma, a beleza paisagística e o chilrear das aves são abundantes.
São assim as ilhas do Triângulo (Faial, Pico e São Jorge), são assim os Açores, sempre belos em qualquer estação do ano.
Adeus Outono e espero que o próximo Inverno não nos desiluda!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

CHÃO QUE DEU UVAS

Tempos houve, não muito distantes, que no meio rural do Faial não havia dinheiro disponível. Apenas abundava o milho, o trigo, a batata doce ou da terra, a laranja, a maçã, o pêssego, o figo, a ameixa, a nêspera e a uva, o peixe acabado de pescar, a carne de vaca ou de porco (tanto fresca, como salgada), as couves para acompanhar ou a cebola, o alho e a salsa para aromatizar e ainda o vinho feito por um conhecido da Praia do Norte, do Capelo ou, sobretudo, do Pico e... vi eu bem, muito alegria no trabalho.
Hoje, o dinheiro circula no campo e os bancos cobram as dívidas da casa, do carro, da adega ou da mobília nova e dos electrodomésticos, mas o chão que deu uvas cobre-se de ipomoeas de flores roxas que se alastram pelos quintais e desfeiam as zonas balneares...

Antigamente o chão de pedras - chamados mistérios ou biscoitos - dava uvas e figos que se transformavam em vinho e aguardente. Agora... jaz abandonado, estéril, triste com saudades dos campos alegres sem crise...

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

POETAS E POEMAS ESCOLHIDOS IV - Natália Correia


Logótipo com os países integrantes da CPLP, retirado daqui - lusofonia

LÍNGUA MATER DOLOROSA

Tu que foste do Lácio a flor do pinho
dos trovadores a leda a bem-talhada
de oito séculos a cal o pão e o vinho
de Luiz Vaz a chama joalhada

tu o casulo o vaso o ventre o ninho
e que sôbolos rios pendurada
foste a harpa lunar do peregrino
tu que depois de ti não há mais nada,

eis-te bobo da corja coribântica:
a canalha apedreja-te a semântica
e os teus verbos feridos vão de maca.

Já na glote és cascalho és malho és míngua,
de brisa barco e bronze foste a língua;
língua serás ainda... mas de vaca.


Publicado no Jornal Novo, Dezembro de 1976, extraído de "Poesia Completa" de Natália Correia, Publicações Dom Quixote, 1999 (634 p.)
Livro disponível e à venda nas Bibliotecas Públicas da DRaC nos Açores.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

POETAS E POEMAS ESCOLHIDOS III - Paulo Freitas

Imagem tirada daqui

Nasci assim lagarta rastejante,
que anda de flor em flor, que anda a chorar.
Nasci em prol da terra e não do ar,
vivendo em forma triste e humilhante.

E por breves momentos, um instante,
vi na luz de um orvalho, a baloiçar
airosa borboleta, a crepitar
em céu de luz ardente e delirante.

Assim, nasci lagarta por engano,
em seu casulo presa tristemente...
sem asas, rastejando sem prazer.

Postos olhos ao alto causam dano,
por ser de outro lugar: é penitente
de malfadada sorte, em seu viver!

Paulo Freitas in Vaidades de Março (1999)

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O CACHALOTE FEITO ARTE

Entre as várias funções desempenhadas ao longo do Faial Filmes Fest, coube-me a grata tarefa de mostrar as numerosas belezas do Faial e do Pico a vários participantes, situação que me permitiu mais uma visita a vários núcleos museológicos da Baleação: Fábrica da Baleia no Porto Pim no Faial, Museu da Indústria Baleeira, em São Roque do Pico, e Museu dos Baleeiros, nas Lajes do Pico, estes dois integrados no Museu do Pico

Para quem desconhece as ilhas do Faial e Pico ou julga que a baleação acabou, esclarece-se que esta apenas se transformou, pois hoje a observação de cetáceos ou "whalewatching" é uma das ofertas turísticas mais requisitadas por estas bandas dos Açores.

A memória dos homens que corajosamente se sacrificaram para obter da caça ao cachalote algum rendimento para conseguir uma vida minimamente digna e da indústria associada está preservada nos vários museus do Faial e Pico acima referidos e para surpresa de muitos...

...artesãos destas ilhas souberam transformar o osso e o marfim do cachalote, armazenado desde então, em autênticas obras de arte escultórica e pictórica, nalguns casos comercializado em lojas da especializado.
Contudo as maiores obras-primas estão expostas no Museu dos Baleeiros das Lajes do Pico ou no Museu do Scrimshaw do Peter no Faial.

Neste post, feito em homenagem dos baleeiros e dos artesãos que transformaram os restos do cachaloe em arte, todas as imagens correspondem a uma pequena amostra do magnífico espólio situado no Museu dos Baleeiros das Lajes do Pico.

domingo, 19 de outubro de 2008

ELEIÇÕES LEGISLATIVAS REGIONAIS DOS AÇORES

Porque muitos não sabem quantas ilhas os Açores têm, porque muitos ignoram o nome das ilhas açorianas, porque muitos desconhecem que temos mais sotaques que ilhas, porque muitos não conseguem sequer localizar o Arquipélago, porque hoje decorrem eleições legislativas regionais, porque o dever me chamou a presidir uma mesa de Assembleia de Voto e, apesar de fim-de-semana, não posso ficar por aqui... deixo-vos com o mapa destas ilhas a assinalar este dia eleitoral. 

Imagem tirada da Wikipédia (clique na imagem para a ampliar)

Para um conhecimento genérico destas ilhas, recomendo esta página da Wikipédia

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

POETAS E POEMAS ESCOLHIDOS I: Antero de Quental


CONFORTO

A sorte só p'ra o fraco é dura às vezes!
P'ra o forte, que a virtude e crença alenta,
P'ra esse não há sortes nem reveses...

Porque após a bonança vem a tormenta,
Porque a noite sucede ao claro dia,
É força definhar em mágoa lenta?

Não! que aos males, que gera a fantasia,
O sábio opõe as íntimas venturas
Da virtude e da fé que em si sentia.

Não chores mais, poeta, as amarguras
Que só os bens da terra vão comendo:
A consciência é jardim onde as verduras
Mil perfumes p'ra o céu vão rescendendo.

sábado, 4 de outubro de 2008

AÇORIANOS QUE SE DESTACAM - VIOLINO

No Grande Concerto Sinfónico do Natal de 2007, na Horta, devido à minha posição no seio do público, fui despertado pela grande qualidade de um jovem, segundo violinista na orquestra, que dias depois soube chamar-se Rodolfo Vieira, um dos sete irmãos de um grupo famoso de jovens músicos dotados e residentes em São Miguel.
Mais tarde informaram-me que o Rodolfo estava a frequentar a Northwestern University em Chicago, precisamente em violino, agora sou informado de quatro vídeos de uma interpretação dele no YouTube e confesso que fiquei mesmo deslumbrado com este jovem dotado açoriano que espero que continue a ir cada vez mais longe, ora oiçam-no no Concerto em Ré de Stravinsky:


Toccata


Aria I


Aria II


Capriccio


O Rodolfo vai ainda representar a sua universidade num concerto, no próximo dia 5, em Washington, no Kennedy Center, que integra estudantes que são esperanças futuras das várias universidade nos Estados Unidos, como podem verificar nesta página 

Post dedicado a todos os jovens açorianos que se esforçam pela excelência da sua actividade musical ou outra...

sábado, 13 de setembro de 2008

SÃO JORGE: DE PONTA A PONTA, DE CIMA A BAIXO

(clique nas fotos para as ampliar)

A ilha de São Jorge vista do Space shuttle (fotografia: Wikipédia)

Devido à origem vulcânica dos Açores, as ilhas possuem, por norma, uma zona central mais elevada e relevo acentuado (onde se instalaram os maiores centros eruptivos) e uma periferia mais baixa e menos declivosas, por onde se espraiaram as escoadas de lava ou de piroclastos (gotículas ou fragmentos de lava projectados durante uma erupção que depois caem por gravidade) provenientes do vulcão. Assim, um dos principais circuitos turísticos e passeios consiste em "dar a volta à ilha".

Ponta dos Rosais e o seu ilhéu, no extremo ocidental da ilha

A ilha de São Jorge corresponde a um grande alinhamento de cones de escórias vulcânicas, implantados ao longo de uma fractura geológica da crosta terrestre de direcção WNW-ESE, ou seja, foi formada por tipo de vulcanismo chamado de vulcanismo fissural. Assim, esta terra açoriana é, sobretudo, uma cordilheira estreita, com 55 km de comprimento, uma largura máxima de 6,75 km, mas que atinge 1053 m de altitude.

Ilhéu do Topo, junto à ponta do Topo, no extremo oriental da ilha e com a Terceira no horizonte ao longe.

Logo o tradicional trajecto, mais ou menos circular, só é viável no terço central de São Jorge. Conhecer esta ilha, é ir de uma ponta à outra, mas onde, ao longo de dois terços do seu comprimento, se vai e vem pelo mesmo caminho, mais ou menos rectilíneo.

A freguesia das Manadas vista do Pico da Esperança, o ponto mais alto da ilha.

Tendo eu uma relação especial com a ilha de São Jorge, quando em tempo livre lá me desloco não me limito a ir de ponta-a-ponta, mas também a subi-la (de carro é claro!) de cima-a-baixo e foi o que fiz da última vez em que lá estive durante dois dias no último mês de Agosto e, nos próximos tempos, de uma forma nem sempre continuada, irei descrever a geologia, a geodiversidade das estruturas e as minhas impressões pessoais sobre esta belíssima ilha do Triângulo.

O Pico da Esperança visto do nível do mar na zona do Porto das Manadas

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

BELEZAS AÇORIANAS III - PONTA DAS CONTENDAS

Profissionalmente tenho a sorte de conhecer todas as freguesias, vilas, cidades e ilhas dos Açores, pelo que por norma raramente encontro uma paisagem desconhecida, só que pontualmente sou surpreendido por uma nova beleza ou uma curiosidade paisagística que me era totalmente estranha. (clique nas fotos para as ampliar)

A mais recente ocorreu com a minha última deslocação à ilha Terceira, calmamente, em viagem pelo litoral sul da ilha, passo pela Ponta das Contendas e eis que de repente me deparo com esta estranha formação geológica. Por motivos de agenda não me foi possível explorar a área, pelo que a sua génese não me é completamente clara. Poderá resultar de erosão marinha diferencial sobre uma escoada lávica que avançou sobre o mar numa zona que foi coberta por níveis piroclásticos ou restos de um cone formado por uma erupção submarina costeira do tipo surtsiano. Ver explicação deste tipo de actividade eruptiva aqui ou aqui.

Ser geólogo não implica ter sempre a resposta na ponta da língua e sem estudo prévio da zona. Todo o saber implica trabalho de preparação, mas mesmo na incerteza, estou correcto ao afirmar que a formação geológica exposta nas fotos, além de curiosa, é bonita e disso não tenho dúvidas. Uma prova das inúmeras pequenas belezas que a geodiversidade oferece à paisagem em todas as ilhas dos Açores.

terça-feira, 15 de julho de 2008

GEOMONUMENTOS DOS AÇORES: National Geographic

Reconhecidamente, a revista National Geographic, inclusive a sua versão portuguesa, não necessita de publicidade, mas mais uma vez chegou-me às mãos uma publicação para divulgação, precisamente a última edição desta revista, Julho de 2008, por apresentar um trabalho especial sobre a geologia do Açores.
Trata-se de um suplemento desdobrável entitulado "Geomonumentos dos Açores, descodificar e proteger a paisagem", onde são apresentadas e explicadas, de uma forma simples, várias estruturas geológicas que se podem encontrar nas várias ilhas deste arquipélago.
O folheto não é exaustivo, mas apresenta uma selecção significativa destes Geomonumentos, mostra a geodiversidade desta região de uma forma interessante e o enquadramento geotectónico dos Açores a nível planetário.

O destacável vai mais além dos geomonumentos. Procura caracterizar os vários tipos de erupções que formaram os Açores e o próprio aparecimento destas ilhas no contexto de "deriva" dos continentes.
Apresentando ainda publicamente, julgo que em primeira mão, a nova rede de áreas protegidas dos Açores, que neste momento já se encontra em aprovação no Parlamento da Região Autónoma dos Açores.
A aquisição desta edição com este suplemento é mais uma oportunidade de todos os interessados, no ambiente, na vulcanologia e na geologia dos Açores, conhecerem um pouco mais destas ilhas, bem como alguns modelos explicativos sobre a sua génese e enquadramento tectónico do arquipélago.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Segunda-feira de Pentecostes - DIA DOS AÇORES

A Segunda-feira de Pentecostes coincide com o Feriado da Região Autónoma dos Açores para a celebração do DIA DOS AÇORES, talvez o único feriado de origem civil em Portugal com uma data móvel função de um calendário religioso, contudo a importância dos festejos em louvor do Espírito Santo em todas as ilhas justificam a escolha deste dia para a identidade da região, cultura e povo Açoriano.
Brasão da Região Autónoma dos Açores.

Três décadas de autonomia, muito foi realizado em virtude desta realidade político-administrativa do arquipélago dos Açores, nomeadamente a identidade de todas a ilhas como parte de uma única região, mas muito ainda há por conseguir, como a confiança de que o desenvolvimento regional considera de modo igual cada uma das suas parcelas ou que o progresso de uma ilha não se faz em luta contra outra.

Bandeira oficial da região autónoma dos Açores.

O princípio da subsidariedade e da solidariedade, tantas vezes reivindicado pela administração regional perante a República Portuguesa ou Departamentos da União Europeia, tem de se fazer sentir também dentro desta realidade arquipelágica, pois embora se reconheça que nem todas as ilhas têm iguais potenciais de desenvolvimento, compete aos governantes regionais implementar políticas que garantam internamente a subsidariedade e a solidariedade de todos os açorianos, de modo a assegurar-se um futuro melhor para todos e uma região que, apesar de dispersa, em todas as partes se goza os benefícios da autonomia de forma justa.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

ESPÍRITO SANTO - VS GEOLOGIA E LENDAS

Neste fim-de-semana completam-se 50 dias após a Páscoa e celebra-se no cristianismo o Pentecostes, a vinda do Espírito Santo, o Paráclito (o advogado dos homens enviado por Deus). A festa mais característica do Cultura Açoriana, não só por ser de cariz religioso, mas sobretudo por, expontaneamente, partir do povo de todas as ilhas e freguesias do Arquipélago e com tal intensidade que foi imposta ao clero nos moldes definidos pelos ilhéus e não o inverso.



A força das festas do Espírito Santo radica na necessidade do Açoriano ter um protector ou defensor contra os sismos, vulcões e intempéries, pelo que talvez seja esta a celebração religiosa em Portugal mais marcada pelos condicionalismos geológicos do que qualquer outra, por isso não admira que em paralelo circulem os numerosos "milagres" que justificavam o agrado do Divino perante esta oferenda do Povo.

A festa do Espírito Santo é sobretudo uma celebração da esmola e da partilha de alimentos, não só pelos mais necessitados, mas também pelos que estão mais próximos, os habitantes da mesma localidade e os amigos. São organizadas através instituições - irmandades, que entre si e num sistema diversificado seleccionam o irmão que organiza a festa em cada ano.


O Espírito da Santo é simbolizado por uma coroa imperial e um estandarte, a festa é precedida pela dádiva de esmolas (num ambiente mais privado) no dia ou na véspera, prossegue com um cortejo da casa do organizador da festa - mordomo, em direcção à igreja, onde é, frequentemente, invocado o Espírito para protecção através da imposição da coroa sobre o mordomo ou familiar.

Terminada a cerimónia religiosa segue o cortejo novamente para o local sede da irmandade - o Império, embora noutras ilhas possa possuir outros nomes como Treato (3 actos, de 3 dias de festas ou terceira pessoa da Trindade).

No império a coroa é colocado no altar e o mordomo serve uma refeição a todos os membros da irmandade e convidados em louvor do Divino, com Sopas do Espírito Santo, cujo corpo central da receita é comum às várias ilhas, massa sovada (uma espécie de pão doce rico em ovos, limão, especiarias e manteiga), arroz doce e vinho, a festa pode prosseguir com os arraiais típicos das festas rurais.
Relatos de correntes de lava que se desviaram perante a exposição da coroa do Espírito Santo, escoadas lávicas que bifurcaram de modo a manter vivo o gado destinado às esmolas e às sopas, crises sísmicas que não afectaram os locais onde se encontrava a coroa, milagres de multiplicação das sopas de mordomos perante um número inesperado de presenças e protecções asseguradas contra o galgamento do mar em tempestades devido à intervenção Divina, abundam em todas as ilhas, alguns casos facilmente explicáveis, outros nem por isso, histórias que misturam a lenda com a realidade do passado que mantém viva a fé neste culto, mas sobretudo que importa recolher e guardar por fazerem parte do Património Imaterial da Cultura Açoriana.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

O Vucão dos Capelinhos há 50 anos - o mar na cratera

Em 19 de Janeiro referi neste blog que "...havia quem se aventurasse a subir às encostas íngremes de cinza vulcânica da nova terra, espreitar para o interior da cratera e tirar a foto abaixo exposta!" e prossegui dizendo "Graças a estes corajosos, ou talvez inconscientes do risco, pode-se ver o vapor a sair da cratera inundada de água, esta ao entrar na chaminé e ao encontrar magma, com elevadas temperaturas, gerava as importantes explosões típicas dos vulcões submarinos de pequena profundidade..."
Dias depois, numa deslocação em trabalho à ilha de São Miguel, encontro um filho de faialenses que me interpela se eu sei quem tirou a foto, imediatamento confesso a minha ignorância, então ele informa-me ter sido uma mulher - Hilda Rebello - uma jovem de então, hoje emigrada e a viver nos Estados Unidos. A sua coragem permitiu ainda recolher noutra data a imagem abaixo, para mim a imagem mais bonita que conheço do interior da cratera dos Capelinhos.


Nesta imagem verifica-se que o bordo norte da cratera estava ainda em contacto com o mar e, num período de acalmia da erupção, as águas introduziram-se no interior desta e precipitaram-se para dentro de uma depressão, onde deveria situar-se uma das bocas deste vulcão, o que gerou um remoinho testemunhado pelos traços elípticos dos materiais em suspensão na água e um círculo escuro gerado na zona central.


Um mapa da península construída pelo vulcão à época da fotografia acima, o traço a vermelho indica grosseiramente o topo da linha de costa do Faial antes da erupção, os pontos A e B, a verde, indicam respectivamente a cratera da imagem e o local de implantação do farol. (clique nesta imagem para a ampliar)

Importa relembrar que o vulcão dos Capelinhos foi um dos mecanismos que serviu de argumento inicial para a abertura ao maior fluxo migratório dos Açores no século XX, tanto para os Estados Unidos, como para o Canadá, aqui um pouco menos significativo, esta saída começou pelos sinistrados da erupção e alastrou-se depois a todas as ilhas.

[Foto e mapa recolhidos de: Machado, F. e Forjaz, V. H. (1968) "Actividade Vulcânica do Faial - 1957-67" Ed. Com. Reg. Turismo Distrito da Horta]

quinta-feira, 3 de abril de 2008

DELTAS LÁVICOS DO TRIÂNGULO - Lajes Pico

A ilha do Pico, pela sua jovialidade, na sua metade mais ocidental não tem arribas costeiras com alturas significativas, por isso, nesta área, as númerosas escoadas lávicas chegam ao mar e cobrem completamente a zona de costa antiga, não permitindo a formação de fajãs.
Todavia, a parte oriental, com um núcleo mais antigo, já apresenta algumas arribas com grandes desníveis e várias fajãs. Entre estas, apesar da sua dimensão não ser muito grande, encontra-se o delta lávico onde se instalou a primeira vila e concelho da ilha: Lajes do Pico.

(clique na foto para a ampliar)

Este delta tem, na sua frente exposta ao mar, uma plataforma de abrasão marinha, que resulta da acção erosiva das ondas, que criou uma superfície aplanada a uma cota próxima da do nível do mar.
Devido à reduzida largura desta fajã, a sua pequena altitude e ao facto de não existir nenhuma ilha mais meridional que perturbe a ondulação vinda do alto mar, em caso de grandes tempestades com ondulação proveniente do quadrante entre sul e sudoeste a vila das Lajes do Pico fica sujeita a galgamentos marítimos, como se pode ver na magnífica foto publicada num dos posts do blog Castelete Sempre.



A vila das Lajes do Pico está limitada a norte por uma arriba fóssil, que embora não sendo muito alta, impediu a expansão do aglomerado populacional para o interior da ilha a partir desta estreita faixa costeira.


Um pormenor da arriba fóssil, onde a vontade e a necessidade dos homens obrigou a escavar socalcos para aproveitar ao máximo todas os terrenos disponíveis, apesar das inclinações desfavoráveis evidentes na foto.