domingo, 30 de setembro de 2012

O Bom Inverno de João Tordo



O ainda jovem João Tordo ganhou um prémio Saramago e o "O bom inverno" encontra-se na lista para o prémio literário europeu do corrente ano. Motivos que estão na base de ter optado pela leitura deste romance.
Um escritor português algo hipocondríaco e deprimido vai a um evento europeu de escritores e é atraído para umas férias na casa de um produtor de cinema igualmente europeu que por norma reúne pessoas das artes durante o verão... mas este espaço transforma-se num pesadelo e um crime desencadeia um drama psicológico e de terror com estes artistas de valor variável.
Um texto bem escrito e embora o autor seja um deus sobre os seus personagens, tal como se deduz no romance, até este deus pode perder o controlo e penso que de facto tal aconteceu na obra. 
Tem por vezes reflexões interessantes, tem páginas em que chega a ser emocionante e entusiasmante, mas também tem momentos que me pareceu maçador e sem norte.
Para uma obra selecionada para um prémio europeu esperava mais ou talvez os prémios é que tem uma bitola mais baixa do que eu penso. Lê-se razoavelmente bem, mas não me deslumbrou.
Assumo que a falta de deslumbramento pode efetivamente dever-se ao ter perspetivado algo de muito elevado, devido ao anúncio à candidatura de um prémio internacional, e ainda estar influenciado pela excelente obra cuja leitura lhe antecedeu imediatamente. Por isso mantenho o repto para lerem "O bom inverno" e cada um depois julgue por si... até por que as críticas literárias são todas muito elevadas... 

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Por quem os sinos dobram

Livro e sinopse disponível aqui


Pode alguém sob a ameaça de uma guerra que nos cerca e na preparação de uma operação militar de elevado risco, descobrir a plenitude da vida e vivê-la no seu total em 3 dias? 
Relatos da vida de um cooperante americano ao lado de partisans republicanos e comunistas em plena guerra civil de Espanha, experiência de facto vivida por Ernest Hemingway.
"Por quem os sinos dobram" é a história da descoberta do amor e do significado da vida quando tudo está a ruir à nossa volta e a morte se senta ao lado à espera da sua oportunidade de vir ter connosco precisamente quando se descobre o valor da vida.
É também uma introspeção sobre o significado da vida, um exame de consciência e uma inteligente denúncia de que mesmo aqueles que parecem estar do lado certo da humanidade são capazes de fazer as coisas mais erradas ao próprio homem.
Um excelente livro que tem tanto de elogio ao amor e à vida, como de reflexão sobre o significado desta e feito através de uma escrita não rebuscada, mas profunda.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Recordando o Concerto do Varadouro de 2012

Embora um pouco atrasado, aqui ficam duas fotos do excelente concerto no Varadouro ocorrido este ano e aqui divulgado.
Além do prazer que foi ouvir um cravo magnífico no Faial, tocado por Gustaaf van Manen, importa elogiar Rodrigo Lima, que já ouvira ao vivo em 2010, conforme então divulguei neste artigo.

Presentemente, Rodrigo Lima está cada vez mais maduro e confiante, aspetos que se refletem na sua performance, tornando-o num magnífico flautista açoriano e capaz de conduzir o concerto como aconteceu neste trio. Uma excelente noite de música.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Jesusalém de Mia Couto


Acabei de ler Jesusalém de Mia Couto, considerado uma das obras principais deste escritor, confesso que mergulhei num entusiasmo inicial que depois de meio foi esmorecendo.
Uma estória que leva a pensar se vale rompermos com o mundo para esquecermos as nossas culpas e desilusões geradas na nossa vida em sociedade, sobretudo a feridas abertas nas relações com os que nos estão mais próximos.
Na sua escrita cheia de neologismos provavelmente inventados no momento e outros regionalismos, com um estilo algo fantástico e enraizado nos mitos, cultura e ambiente africano, tem um início cheio de criatividade e de imagens escritas e de pensamento brilhante para depois ter uma passagem mais dolente que se vai compreendendo e me levou à reflexão sobre se é possível fugir às desilusões com o que tropeçamos e causamos com o nosso modo de viver.
Gostei, até por ter a dimensão suficiente e adequada para o género e ritmo do livro, uma medida que nem todos os escritores sabem usar.

domingo, 9 de setembro de 2012

Sala de leitura estival


Agora que o verão está em fase terminal, confesso que houve menos tempo para este blogue, pois foi com vista para este pinheiro, enquadrado neste espaço ao ar livre e após banhos no Atlântico, que fui passando o resto da tarde a ler calmamente, a respirar ar puro e a ouvir os ruídos bucólicos do meio rural... algo que a redução das horas de luz solar já está praticamente a tornar impossível até ao reaparecimento dos novos longos dias de verão.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O Jogador: Fiodor Dostoievski



Acabei de ler "O Jogador" de Dostoievski, o primeiro livro de um grande escritor russo que li. Optei por uma pequena obra tendo em conta que desconhecia o autor e a literatura daquele país.
Trata-se de um livro de fácil leitura, muitas vezes hilariante, com uma escrita muito linear típica das obras do século XIX e apesar dos numerosos francesismos estes estão devidamente traduzidos em rodapé para quem não dominar a língua de Victor Hugo.
Parece uma obra de mero divertimento, mas o livro é denso de reflexões psicológicas e sociais: a desconfiança e preconceitos entre os povos de diferentes nacionalidades europeias, os comportamentos compulsivos de muitas pessoas e o estilo de vida falso e insustentável de muita aristocracia do velho mundo.
Uma pequena obra bem construída que é um retrato de um certo tipo de classe social que na sua singeleza  levanta questões ainda atuais sobre a sociedade e as relações humanas.

sábado, 1 de setembro de 2012

Submundo de Don DeLillo


Três de outubro de 1951 coincide com a primeiro rebentamento nuclear da União Soviética e com uma das jogadas mais famosas da história do basebol, ocorrências que causaram vibrações em muitos norteamericanos, incluindo na Bronx de Nova Iorque.
Cerca de 40 anos depois, acabada a guerra fria, a humanidade vive com o problema dos seus resíduos, incluindo nucleares. A personagem mais presente na obra gere a mensagem de como a empresa administra esta questão e um conjunto de pessoas relacionadas com a Bronx é o fruto do que foi o passado.
O romance relata episódios soltos, que recuam no tempo, com medos, aspirações, disfunções sociais e mistura de cidadãos e factos reais e ficcionados, unidos pela Bronx e a guerra fria.
Uma obra grandiosa que constrói um puzzle da vida nos Estados Unidos durante 40 anos, onde uma bola de basebol, a Bronx, a guerra fria e o lixo formam o cimento que une as peças e justifica a década de 90.
Um livro pós-moderno que provavelmente se tornará numa referência da história da literatura dos Estados Unidos.