quinta-feira, 29 de maio de 2008

O TUFO VULCÂNICO NA CONSTRUÇÃO FAIALENSE

Como é do conhecimento geral, as arquitecturas regionais, ao longo dos tempos, tendem a utilizar as rochas disponíveis na área, pelo que é normal que nos Açores os edifícios sejam construídos por vários tipos de lava e..., mais raramente, por tufo vulcânico. (clique nas fotos para as ampliar)

Imóvel no interior do Castelo de São Sebastião, base e cantarias em basalto negro, alvenarias em tufo castanho

O tufo vulcânico, como resultado da cimentação de grãos que estiveram soltos, é uma rocha relativamente fácil de cortar e de esculpir, só que, como se forma apenas em erupções submarinas pouco profundas e sujeitas a erosão inicial, é relativamente raro. Assim, o seu uso no Faial quase se limita a edifícios militares: fortes ou castelos.

Castelo de Santa Cruz com a sua base feita em lava e construído sobre os basaltos das escoadas junto à antiga grande praia da baía da Horta,

Os fortes e castelos nas ilhas são, por norma, construídos junto à costa, os inimigos de que a população necessitava de se defender então surgiam do mar. Paralelamente, o tufo vulcânico é encontrado também na zona litoral.

O contraste de cor entre basalto e tufo vulcânico no Castelo de Santa Cruz

Mesmo assim, os edifícios de tufo, por norma, possuem a base e a cantaria em lava. Talvez por ser mais resistente à erosão e difícil de fracturar, logo preferida para as zonas mais expostas a esforços e ao peso dos blocos colocados por cima.

Complexo de edifícios nas baía de Porto Pim na base do Monte da Guia, o corte vertical no terreno é uma antiga pedreira de tufo vulcânico

No Faial, os edifícios antigos construídos no Monte da Guia: casa de praia do Cônsul Dabney, fábrica velha da baleia, rampa varadoura da nova fábrica e o abrigo de barcos; embora não militares, são feitos de tufo, por ser a rocha mais disponível no local e encontrar-se uma pedreira mesmo atrás destes imóveis.

terça-feira, 27 de maio de 2008

A EVOLUÇÃO DOS CONES VULCÂNICOS SURTSIANOS

No Faial surgem esporadicamente preocupações pelo facto do mar, vento e chuva estarem a destruir o edifício da erupção dos Capelinhos, propondo a plantação de espécies vegetais capazes de impedir tal erosão.
Efectivamente, nas erupções basálticas em mar pouco profundo e onde este entra dentro da chaminé vulcânica, designadas de erupções do tipo surtsiano (surtseiano), dão-se grandes explosões, devido ao contacto da lava quente com a água fria. O que origina cones sobretudo de grãos da dimensão das areias e outros maiores e inicialmente soltos: devido à intensa fragmentação do material assim expelido.


O vulcão dos Capelinhos durante um período de actividade eruptiva do tipo surtsiano, os jactos negro são grãos que construíram o cone


[Foto publicada em: Machado, F. e Forjaz, V. H. - in Actividade Vulcânica do Faial - 1957-67 (1968) Ed. Com. Reg. Turismo Distrito da Horta]


As "areias" acumuladas durante a actividade surtsiana são conhecidas por cinzas vulcânicas - cientificamente o nome é complexo: hialopiroclastitos (sensivelmente significa: fragmentos vítreos formados pelo fogo) - e dão origem a cones fáceis de destruir pelo mar, vento e chuva. Nos Capelinhos, dos mais de 2 km quadrados iniciais, hoje resta talvez menos de 1.


Mas com o tempo, as mesmas chuvas, sais e seres vivos cimentam os grãos, transformando-os naquilo que as pessoas chamam de tufo vulcânico e a erosão passa a ser muito mais lenta. Então a superfície cobre-se de vegetação e quase nem vemos que a destruição continua.


Infelizmente e ao longo de milhares de anos, os grandes edifícios surtsianos continuam a reduzir em tamanho, o mar abre brechas e a erosão intensifica-se ligeiramente.


Então, com o passar dos anos, talvez outros milhares, os grande cones passam a pequenos ilhéus, parecem recifes... até ao dia em que desaparecem no mar como baixios e tornam-se em montes submarinos.

Todos os Faialenses gostam da estrutura construída pelos Capelinhos, interferir artificialmente com a evolução das coisas pode ser tentador, mas a longo prazo não resulta. A Natureza fez o mundo assim e para quem sabe olhar a beleza da Terra, verifica que esta constrói-se com as suas Regras Naturais.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

CRISE SÍSMICA NO FAIAL

Transcreve-se neste post a última notícia publicada na página do Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos, das várias já ali colocadas sobre o assunto em título.

" O Sistema de Vigilância Sismovulcânica dos Açores informa que a actividade sísmica registada na Ilha do Faial desde o dia 20 de Maio, no sector leste da ilha, na estrutura tectónica denominada Graben de Pedro Miguel, se mantém acima do normal.
A partir do início do dia 26 verificou-se um ligeiro incremento na frequência horária. Os eventos registados continuam a ser de fraca magnitude (menor que 2 na escala de Richter), não havendo informação de qualquer um ter sido sentido pela população . Face à localização epicentral sismos de magnitude ligeiramente mais elevada poderão vir a ser facilmente sentidos pela população. Nova informação será fornecida sempre que necessário. "

Tenho conhecimento de apenas 2 eventos terem sido sentidos pela população e com intensidade máxima de III na Escala de Mercalli.
A calma é a melhor conselheira de comportamentos nestes casos, bem como o respeito pelas tradicionais regras de segurança que habitualmente são difundidas pela Protecção Civil.

Património Classificado - IGREJA DE SÃO FRANCISCO

Igreja de São Francisco, cidade da Horta, um imóvel cujo interior já foi aqui abordado, um templo com uma implantação imponente e testemunho da actividade da ordem franciscana no Faial...


Igreja da São Francisco, um monumento classificado e considerado o espaço com melhor acústica para música sacra e erudita na cidade da Horta.

Igreja de São Francisco, um templo fechado, esquecido, sem uso, vidros partidos nas janelas e em degradação contínua... porquê?

ATÉ QUANDO?...

sexta-feira, 23 de maio de 2008

INDIELISBOA - Extensão do Faial

O Cineclube da Horta, com o patrocínio do pelouro da Cultura da Câmara Municipal da Horta, apresenta este ano no Faial, pela primeira vez, uma extensão do INDIELISBOA - Festival de Internacional de Cinema Independente de Lisboa, que em quatro anos se tornou num dos mais importantes festivais de cinema em Portugal.

Na Horta, a extensão do Indielisboa, decorrerá no Cine Teatro Faialense (sala principal) nos dias 23, 24 e 25 de Maio de 2008 pelas 21:30, com projecção em película e com legendagem electrónica. Todas as sessões contarão com a presença de Rui Pereira, Director do IndieLisboa, que estará disponível para dialogar com o público presente.

Para conhecer a programação dos filmes a exibir, consulte a página do cineclube da Horta relativa ao INDIELISBOA - Horta.

Indielisboa nos Açores - vídeo promocional

quarta-feira, 21 de maio de 2008

METAMORFISMO DE CONTACTO - Um cozido geológico

A imagem do cientista excêntrico não corresponde à realidade, mas por vezes, quando se gosta de ciências naturais e se anda na rua, corre-se o risco de algo nos chamar à atenção, desviarmo-nos do nosso caminho e perdermos a noção do tempo ou dos compromissos. Recentemente, ao deslocar-me à Horta para compras, eis que uma camada avermelhada na arriba costeira da Espalamaca (ver mapa) me chama a atenção e lá fui espreitar...

No local deparei-me com uma camada de Rocha Metamórfica. Já aqui referira que no Faial não existem apenas rochas vulcânicas, também ocorrem rochas sedimentares formadas à superfície pela acção do vento, chuva e amplitudes térmicas atmosféricas. Só que o calor da terra, o peso das rochas (pressão litostática) e as forças devidos ao movimentos tectónicos (pressão dirigida ou orientada) também transformam as rochas noutras novas, denomindas, como já depreenderam, Rochas Metamórficas.
A camada avermelhada em questão resultou da passagem de uma escoada de lava quente por cima que cozeu (é isso mesmo!) a lava antiga e já arrefecida que ficou por baixo.

Existem várias formas de metamorfismo, mas a este tipo resultante da proximidade de uma rocha magmática quente chama-se Metamorfismo de Contacto, raramente atinge espessuras muito grandes, pois os locais mais afastados do calor não sofrem transformações. Imagine um bife espesso na chapa quente, só a camada externa é que fica grelhada, o interior mais afastado do calor poucas transformações sofre.

Assim, a camada de rocha que esteve em contacto com a lava quente ficou cozida o que se reflectiu na cor, o resto da rocha continuou "mal passado" devido à falta de calor e manteve-se cinzento.
Enquanto esquecia dos meus deveres a calcorrear calhau, quase nem reparava na beleza do Pico a espreitar por detrás da ponta Espalamaca, mas o deveres chamaram-me à atenção, não sem antes ter descoberto outra modificação em rochas devido à presão litostática, mas isso fica para outra post um dia futuramente.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Construção do TRIBUNA DAS ILHAS on-line

Há vários anos que sou um dos elementos da Direcção da cooperativa IAIC, sem fins lucrativos, com objectivos de informação e animação cultural no Faial. Proprietária do semanário "Tribuna da Ilhas"(TI) que se publica na cidade Horta.
Face à necessidade de informar o que se passa nestas ilhas às comunidades residentes noutras ilhas, continente e no estrangeiro;
Tendo em conta as dificuldade de remeter a versão de papel do jornal para o exterior desta terra; e ainda as oportunidades criadas com as novas tecnologias; iniciei então um projecto de construção de uma página do TI na internet para o fazer chegar mais longe.


Neste momento a página encontra-se ainda em construção mas está on-line. Possui algumas lacunas, a versão pdf para eventuais assinantes não está disponível, mas o projecto está no ar.
Apesar da pequena equipa da redacção editorial, das dificuldades técnicas e financeiras, todos os que quiserem consultar sítio do "Tribuna da Ilhas", apresentar projectos de publicidade, divulgar a página e até num futuro assinar o TI em pdf ou dar o seu contributo, este blog é uma porta aberta, face ao meu envolvimento pessoal na mesma.

Desde já fica o meu agradecimento a todos os que até hoje já colaboraram comigo, com destaque para o meu colega da concepção e realização, que tornaram possível este primeiro passo do TI.
Se se encontra fora da ilha e é leitor deste blog aproveite para divulgar a página do Tribuna das Ilhas: http://tribunadasilhas.com.pt

sexta-feira, 16 de maio de 2008

PALEOSSOLOS: Testemunhos do repouso do vulcão

Os vulcões poligenéticos activos podem ter várias erupções efusivas ou explosivas, separadas por curtos períodos de inactividade ou longos períodos de dormência.
Imediatamente após o termo de uma erupção, os materiais expelidos pelo vulcão começam a ser modificados pelos agentes de geodinâmica externa: factores meteorológicos (vento, variações térmicas e água sob a forma de vapor, líquida ou gelo), os seres vivos (plantas e animais) e a gravidade terrestre.

Com o tempo de repouso aumentam as transformações das rochas e instala-se um solo que abriga a vida. Para o mesmo tipo de rocha e clima, a espessura do solo cresce com o duração do período de dormência do vulcão... só que quando se iniciar outra erupção, os novos materiais expelidos soterram o solo e este fica como fossilizado sobre as novas rochas: Paleossolo. É o que testemunha a foto acima onde o paleossolo de cor acastanhada se situa entre escoadas de lava e delimitado por um traço a vermelho (clique na foto para ampliar).

Quando se estuda um vulcão, o número de paleossolos e disposições fornece informações sobre a quantidade mínima de períodos de repouso ocorridos e sobre o relevo antigo: Paleorrelevo.
Se existirem fósseis de animais, plantas ou se estas estiverem transformadas em carvão, pode ser possível datar as várias erupções e outros acontecimentos, ou seja, fazer a história geológica de uma forma datada: Geocronologia.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

VIGIA do Castelo de Santa Cruz, VIGIA FAIAL!

Não só os vulcões fazem crescer o Faial, também os homens, através dos seus aterros sobre o mar e obras portuárias, como acontece na frente marítima da cidade da Horta.

Ao local da foto chegaram os primeiros portugueses à ilha, daqui iniciaram o povoamento desta terra que já foi de São Luiz, da Ventura, do Fayal (como gosto de escrevê-lo) e agora Faial.
Aqui nasceu o porto desta vila e devido à sua importância geostratégica nas rotas marítimas tornou a Horta em cidade.

Aqui fizeram os nossos antepassados o forte de Santa Cruz, para proteger o porto e o futuro das suas gentes.

Aqui, atrás dos serviços portuários, ficou a fortaleza escondida...

Mas esta vigia continua em Santa Cruz a olhar o porto,
Em sentido... em alerta.

Um porto que se quer vigiado,
Para defender os filhos destas gente.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

50.º ANIVERSÁRIO DA CRISE SÍSMICA E DESTRUIÇÃO DA PRAIA DO NORTE

Ao longo dos 13 meses de actividade eruptiva do vulcão dos Capelinhos, nenhum período foi tão catastrófico como a noite de 12 para 13 de Maio de 1958, em que centenas de sismos foram sentidos pelas populações do Faial, que conduziram a avultados danos em moradias nas localidades de Ribeira do Cabo do Capelo, Ribeira Funda dos Cedros, Espalhafatos da Ribeirinha e à destruição praticamente total da freguesia da Praia do Norte, felizmente sem vítimas humanas que, devido às características da crise, atempadamente abandonaram as suas habitações e refugiaram-se noutras zonas da ilha menos expostas ao tremor quase contínuo.
Durante a noite ocorreram igualmente fortes explosões no interior da Caldeira que expeliram um pó esbranquiçado que ultrapassou os bordos daquela estrutura geomofológica, que deram origem ao aparecimento de fumarolas no seu interior, as quais se prolongaram por vários dias.

Cientificamente sei que subsistem ainda dúvidas em geólogos sobre o que na realidade aconteceu naquela noite. Terá sido entrada de novo magma na região do vulcão? A injecção do mesmo material em falhas na ilha do Faial? Nomeadamente na Caldeira, onde se gerou uma explosão devido ao contacto deste magma quente com a água subterrânea? Terão sido estas movimentações do magma que provocaram a crise sísmica ou, embora talvez menos provável, terá sido um abalo local que despoletou um conjunto de reacções com reflexos no comportamento do vulcão? Certo é que a partir desta data o vulcão passou a ter uma actividade sobretudo do tipo estromboliana.

Tendo em conta o que senti quando assisti à destruição quase total da Ribeirinha, 40 anos depois daquela crise, compreendo esta catástrofe de uma forma muito particular, por isso fica aqui a presente mensagem como homenagem a todos os sinistrados de então, independentemente da forma como ultrapassaram a situação, pois sei que, internamente, ficam marcas dolorosas que nunca mais se apagam.


[Fotos extraídas de: Machado, F. e Forjaz, V. H. (1968) "Actividade Vulcânica do Faial - 1957-67" Ed. Com. Reg. Turismo Distrito da Horta]

Segunda-feira de Pentecostes - DIA DOS AÇORES

A Segunda-feira de Pentecostes coincide com o Feriado da Região Autónoma dos Açores para a celebração do DIA DOS AÇORES, talvez o único feriado de origem civil em Portugal com uma data móvel função de um calendário religioso, contudo a importância dos festejos em louvor do Espírito Santo em todas as ilhas justificam a escolha deste dia para a identidade da região, cultura e povo Açoriano.
Brasão da Região Autónoma dos Açores.

Três décadas de autonomia, muito foi realizado em virtude desta realidade político-administrativa do arquipélago dos Açores, nomeadamente a identidade de todas a ilhas como parte de uma única região, mas muito ainda há por conseguir, como a confiança de que o desenvolvimento regional considera de modo igual cada uma das suas parcelas ou que o progresso de uma ilha não se faz em luta contra outra.

Bandeira oficial da região autónoma dos Açores.

O princípio da subsidariedade e da solidariedade, tantas vezes reivindicado pela administração regional perante a República Portuguesa ou Departamentos da União Europeia, tem de se fazer sentir também dentro desta realidade arquipelágica, pois embora se reconheça que nem todas as ilhas têm iguais potenciais de desenvolvimento, compete aos governantes regionais implementar políticas que garantam internamente a subsidariedade e a solidariedade de todos os açorianos, de modo a assegurar-se um futuro melhor para todos e uma região que, apesar de dispersa, em todas as partes se goza os benefícios da autonomia de forma justa.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

ESPÍRITO SANTO - VS GEOLOGIA E LENDAS

Neste fim-de-semana completam-se 50 dias após a Páscoa e celebra-se no cristianismo o Pentecostes, a vinda do Espírito Santo, o Paráclito (o advogado dos homens enviado por Deus). A festa mais característica do Cultura Açoriana, não só por ser de cariz religioso, mas sobretudo por, expontaneamente, partir do povo de todas as ilhas e freguesias do Arquipélago e com tal intensidade que foi imposta ao clero nos moldes definidos pelos ilhéus e não o inverso.



A força das festas do Espírito Santo radica na necessidade do Açoriano ter um protector ou defensor contra os sismos, vulcões e intempéries, pelo que talvez seja esta a celebração religiosa em Portugal mais marcada pelos condicionalismos geológicos do que qualquer outra, por isso não admira que em paralelo circulem os numerosos "milagres" que justificavam o agrado do Divino perante esta oferenda do Povo.

A festa do Espírito Santo é sobretudo uma celebração da esmola e da partilha de alimentos, não só pelos mais necessitados, mas também pelos que estão mais próximos, os habitantes da mesma localidade e os amigos. São organizadas através instituições - irmandades, que entre si e num sistema diversificado seleccionam o irmão que organiza a festa em cada ano.


O Espírito da Santo é simbolizado por uma coroa imperial e um estandarte, a festa é precedida pela dádiva de esmolas (num ambiente mais privado) no dia ou na véspera, prossegue com um cortejo da casa do organizador da festa - mordomo, em direcção à igreja, onde é, frequentemente, invocado o Espírito para protecção através da imposição da coroa sobre o mordomo ou familiar.

Terminada a cerimónia religiosa segue o cortejo novamente para o local sede da irmandade - o Império, embora noutras ilhas possa possuir outros nomes como Treato (3 actos, de 3 dias de festas ou terceira pessoa da Trindade).

No império a coroa é colocado no altar e o mordomo serve uma refeição a todos os membros da irmandade e convidados em louvor do Divino, com Sopas do Espírito Santo, cujo corpo central da receita é comum às várias ilhas, massa sovada (uma espécie de pão doce rico em ovos, limão, especiarias e manteiga), arroz doce e vinho, a festa pode prosseguir com os arraiais típicos das festas rurais.
Relatos de correntes de lava que se desviaram perante a exposição da coroa do Espírito Santo, escoadas lávicas que bifurcaram de modo a manter vivo o gado destinado às esmolas e às sopas, crises sísmicas que não afectaram os locais onde se encontrava a coroa, milagres de multiplicação das sopas de mordomos perante um número inesperado de presenças e protecções asseguradas contra o galgamento do mar em tempestades devido à intervenção Divina, abundam em todas as ilhas, alguns casos facilmente explicáveis, outros nem por isso, histórias que misturam a lenda com a realidade do passado que mantém viva a fé neste culto, mas sobretudo que importa recolher e guardar por fazerem parte do Património Imaterial da Cultura Açoriana.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Estruturas e Instituições culturais do Faial 4 - A BIBLIOTECA PÚBLICA E ARQUIVO REGIONAL DA HORTA (II)

Como prometido ontem, ficam aqui mais umas imagens dos arranjos dos pátios da nova Biblioteca Pública e Arquivo Regional da Horta.

Vista geral dos pátios interiores da Biblioteca, vendo-se ao fundo o imóvel antigo e parte do novo à esquerda.


Arranjos vistos das janelas de acesso à biblioteca e sala de leitura infantil.


Uma das entradas laterais para uma das salas de exposições da nova sede da bibliotecta e situada na zona de ampliação do imóvel.


O mesmo acesso exterior visto de outro ângulo.

Apesar da arquitecta Ana Veloso já não viver permanentemente no Faial, ficam aqui os meus: Parabéns Ana!
Parabéns também Faialenses! Faço votos para que utilizem a nossa biblioteca pública!

terça-feira, 6 de maio de 2008

Estruturas e Instituições culturais no Faial 4 - A BIBLIOTECA PÚBLICA E ARQUIVO REGIONAL DA HORTA (I)

No passado dia 23 de Abril, Dia do Livro, foram inauguradas as novas instalações da Biblioteca Pública e Arquivo Regional da Horta, situadas mesmo no centro histórico da cidade, um projecto da arquitecta Ana Veloso, cuja versão inicial eu conheci na primeira metade da década de 1991.

A infraestrutura não só aproveitou a recuperação da antiga Casa Grande Bensaúde, um imóvel de grande dignidade e imponência, o edifício maior na foto acima, onde se encontram as bibliotecas e as salas de leitura das crianças e dos adultos, os espaços de informática, o arquivo, as componentes administrativas, espaços técnicos e outros de eventual apoio a instituições culturais da ilha.


Como também se construíu um corpo novo, na foto imediatamente acima, de traça moderna e com uma integração arquitectónica que admiro muito, onde se encontram um auditório, salas de exposições e outros espaços de apoio a actividades culturais.


O conjunto exterior da nova Biblioteca Pública e Arquivo Regional da Horta, vendo-se as fachadas da Casa Grande Bensaúde e da moderna ampliação do imóvel.

A nova área da biblioteca e sala de leitura dos adultos, no interior da Casa Grande oferece boas condições de exposição dos livros, excelente luminosidade, vastos espaços para os leitores e um simpático conjunto de profissionais que recebem os visitantes, alguns deles conheço-os há várias décadas, por ali trabalharem quando ainda estudante lá passava o tempo de espera para os transportes públicos de regresso a casa após as aulas. Muitas vezes com os livros emprestados da Gulbenkian.

Em próximo post espero mostrar-vos os espaços livres do exterior desta infraestrutura cultural, desejando que os faialenses saibam tirar o máximo proveito da mesma.

domingo, 4 de maio de 2008

Festival: "ROTA DOS BONS VENTOS"

Na Horta ocorreu este fim-de-semana um Festival de Jazz, o "Rota dos Bons Ventos" e o primeiro que tive conhecimento de se ter realizado no Faial. Uma aposta ganha, não só pela enchente no Teatro Faialense, mas também pela qualidade de alguns dos grupos apresentados e ainda o interesse mostrado pelo público presente.

O último dia terminou com Hiromi, pianista, e o seu grupo de Jazz experimental, onde o virtuosismo dos músicos esteve ao serviço da música. Adorei a actuação e a selecção dos temas apresentada. Um momento alto deste festival, o meu predilecto e que provou porque o Jazz desperta tantas paixões. Podem também ouvir o grupo aqui e compreender a qualidade que este festival atingiu.

O segundo dia começou com Loyko, um trio cigano russo e, talvez, o grupo que arrancou mais aplausos do público. Um vituosismo excessivo, mas que entusiasma os que se deslumbram com o desfile de técnicas que mostram as capacidades de um instrumento como o violino, um espectáculo que fazia lembrar as bandas (trilhas) sonoras dos filmes de Kusturica.

O primeiro dia terminou com um mestre cujo nome já escrito na história do Jazz, Stanley Jordan, um guitarrista de Jazz americano, que mostrou todos os seus excelentes dotes em explorar as capacidades da guitarra em prol do Jazz, inesquecível! Podem-no ouvir aqui e saber mais sobre ele aqui.

Os primeiros convidados a actuar foram um duo de acordeões João Frade & Guy Giuliano, que se aventuram em demonstrar como este instrumento pode ser usado no mundo do Jazz, um projecto em desenvolvimento e que interessa acompanhar.


O Festival foi organizado pela Filarmónica "Artista Faialense" a comemorar o seu 150.º Aniversário e que actuou na abertura. Para os que ficaram surpreendidos por ver este tipo de música, fica aqui a minha opinião. Sempre fui a favor de que os músicos amadores só têm a ganhar em ouvir e em contactar com bons músicos profissionais de áreas diferentes e a coragem demonstrada em levar a cabo esta organização e actuação merece o meu aplauso. Parabéns!

O Festival "Rota dos Bons Ventos", além do sucesso, fazia falta nesta ilha e espero que continue nos próximos anos. Aos faialenses que não aproveitaram esta oportunidade, faço votos para que tenham mais possibilidades no futuro, pois as entidades que patrocinaram o evento tiveram um sinal claro que se está perante um projecto para continuar a apoiar e a incentivar.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

OLIVINA - uma pedra semi-preciosa, o PERIDOTO

Após falar na mensagem anterior da Olivina, cujo nome provém da sua cor verde oliva, e da Faialite ou Faialita (os minerais por norma terminam em -ite em Portugal e -ita no Brasil) a componente de Ferro da mistura (Mg,Fe)2SiO4, lembrei-me de informar que este mineral é utilizado como gema ou pedra semi-preciosa na joalharia, muitas vezes conhecida também como Peridoto.

Apesar desta gema originar peças de grande beleza e o seu verde ser muito bonito, não é tão cara como outras pedras preciosas, uma vez que o preço, além de ser função da beleza, cor e brilho, é muito dependente da raridade e a olivina é frequente não só em rochas vulcânicas, como noutras. Inclusive a camada de rochas que se encontra imediatamente abaixo da crosta terrestre, o manto, é constituída, sobretudo, por uma rocha designada por Peridotito, devido à sua grande percentagem deste mineral (muitas rochas terminam com o sufixo -ito).


Nalguns locais, além de existir pequenos afloramentos de peridotito, nas regiões vulcânicas por vezes o magma, durante a sua subida, arranca das paredes fragmentos de rocha que ficam incorporados dentro da lava solidificada, os quais se designam por Xenólitos e onde o Peridotito é uma das mais comuns neste enclaves. Foi nesse tipo de relíquias da profundidade que se verificou que no Faial os xenólitos de peridotito praticamente eram de pura Faialite. Tal como já tinha falado aqui.

Como curiosidade, fica aqui uma ligação para uma página que mostram e vende peças de joalharia com Olivina, para observarem como esta gema origina obras tão bonitas (não conheço a empresa por isso não faço juízos sobre a actividade comercial ali exposta).

Já sabem, se tiverem uma peça de joalharia contendo um peridoto ou olivina, têm convosco um pouco de faialite.